quarta-feira, janeiro 18, 2006
terça-feira, janeiro 17, 2006
sublinhado (7)
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Vítor Leal Barros
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Séries: sublinhado
ora então, já que a música pouco se ouve, o CD é este:
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segunda-feira, janeiro 16, 2006
keep your distance (ponto final)
Apesar da amplitude e versatilidade do trabalho de Kander, há uma característica transversal a toda a sua obra que me delicia particularmente – a procura de uma beleza “crua”, se assim lhe posso chamar, austera, desadornada, muitas vezes violenta e cruel, mas sempre bela, proporcionada e irreversivelmente real.
Quando olhamos as suas imagens, a primeira sensação é quase sempre de desconforto, apesar das composições extremamente cuidadas e equilibradas, de contornos quase clássicos. Talvez o impacto violento do primeiro olhar seja produto da forma como Kander trabalha a luz e a cor. O fotógrafo não hesita em flashar violentamente os seus modelos roubando-lhes a pigmentação da pele, e, como se isso não fosse suficiente para gelar o observador, prostra-os ainda contra muros brancos ou azuis, intensamente luminosos, de texturas toscas e ásperas.
Todo o trabalho de retrato, assim como a série de nu feminino realizada em 1998 com prostitutas da América latina, revelam essa necessidade de choque inicial, obrigando o observador a um processo de recuo perante a imagem e a uma reinterpretação posterior, imparcial ao choque do primeiro olhar. Kander primeiro provoca e só liberta a alma das suas “presas”, dos sujeitos fotografados, após uma decisão consciente e deliberada dos observadores, quando estes decidem continuar a descobrir o que está para lá de todo o quadro glacial. Andy Brumer sugere isso mesmo no texto de apresentação da exposição do fotógrafo na Fahey/Klein Gallery em Maio de 2001 e explica-o desta forma, for example, his pictures of seductively naked young Latina women, suggestive of prostitutes in what looks like downtrodden hotel rooms. seem at first straightforward enough. However, after viewing them for some time, the strength of these women's characters and the purity of their souls leap off of each print, turning their staged seductive stares into liminal indictments all their own.
A mais recente reunião de trabalhos do artista/fotógrafo, “Keep your distance” parece dar continuidade ao processo. Nesta série, Kander reúne um conjunto de imagens de paisagem, quase sempre ambientes urbanos (ou suburbanos), espaços transitórios e de passagem como supermercados, bombas de abastecimento, estradas, viadutos, etc… os chamados “não-lugares” segundo o sociólogo Marc Augé. Ao olharmos estas imagens sentimos a mesma estranheza de quando nos mostram pela primeira vez fotografias da superfície da Lua ou de Marte, tiradas por uma qualquer sonda da NASA. São territórios estéreis, desertos, sem vida… lugares perdidos, onde a presença humana pode tornar-se um elemento perturbador, onde o corpo pode mesmo tornar-se num objecto tão estranho, capaz de remeter o observador para um mundo virtual, quase surreal, como se de um videojogo se tratasse. Uma das imagens publicadas no blogue mostra um homem encostado a um poste de electricidade imerso no nevoeiro do nascer do dia. Para mim, a figura humana é tão desconcertante nessa fotografia, tão irreal. Esse homem não pertence a esse lugar, nenhum homem pertence a esse lugar, a simples presença humana desequilibra toda a imagem, torna-a falsa, incredível. “Keep your distance” não parece ser um título escolhido ao acaso, ele funciona como um aviso, um sinal de alerta ao observador, prevenindo-o e relembrando-lhe que a sua presença nesses espaços é tão estranha como caminhar num dos desfiladeiros de Marte. A reflexão de Kander sobre a forma como vamos construindo o território provoca-nos, afasta-nos, cria-nos o pânico do primeiro instante, tal como as imagens das prostitutas latino-americanas. Ao olharmos estas fotografias não deixamos de sentir uma poética qualquer, mesmo que áspera e aguda. As paisagens retratadas são fortes e independentes, possuem na sua essência uma poética que as alimenta… muitas delas, pode-se mesmo dizer, são belas, extraordinariamente belas, mas definitivamente não incluem “a vida” dentro delas.
Para estas paisagens urbanas, a presença de vida, é tão e simplesmente, o início do seu ciclo de morte. Os lugares, ou “não-lugares”, fotografados por Kander parecem não incluir a vida dentro deles. Um corpo imerso na manhã de nevoeiro não é mais do que um ruído na imagem, um traço agressivo sobre o negativo. Estas fotografias parecem confirmar-nos de que sabemos construir a beleza, mas que o belo, é, muitas vezes, inabitável. Não deixam de ser, no entanto, um contributo pertinente para a forma como usamos, construímos e interpretamos o espaço.
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Vítor Leal Barros
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Séries: fotografia
sublinhado (6)
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domingo, janeiro 15, 2006
o homem que não sabia chorar (4)
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sexta-feira, janeiro 13, 2006
Congresso Internacional do Conto*
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o homem que não sabia chorar (3)
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Confessionário (3)

Nunca fechar portas
Mas como mantê-las abertas
O tempo todo
Se em certos dias o vento
Quer derrubar tudo?...
Sudoeste, Adriana Calcanhotto/Jorge Salomão
São nas horas nuas que me sinto desprotegida de mim e dos meus afetos. É quando tudo ao redor parece sem sentido e vazio...
Uma grande amizade? Virou pó, um porta-retrato antigo sobre o móvel para que eu me recorde de quem não deveria ser esquecido.
Há quem bata as portas sem fazer barulho...
Mas há também os que não se incomodam com o rangido dos ferros e aldravas.
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luciana MELO
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Séries: confessionário
sublinhado (5)
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Séries: sublinhado
quinta-feira, janeiro 12, 2006
sublinhado (4)
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Séries: sublinhado
não resisti a publicar este texto aqui...*
Cristina está em silêncio e sorri juntando os lábios. Parece mais afectiva assim e não me consigo despedir. Pergunto-lhe se está livre. Que sim. Pergunto-lhe se quer ir tomar um café. Que sim. Pergunto-lhe se quer alugar um filme. Que sim. Não lhe pergunto se quer ir para a cama comigo. Que merda.
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sublinhado (3)
- Isso é o Paraíso.
- Mas então e o reino da glória? E as sandálias de ouro?
- Abandonamos a consciência como se acordássemos de um pesadelo. Deitamo-la fora como uma peça de roupa que nunca nos serviu muito bem. É uma libertação extática. Não podemos apreendê-la enquanto tivermos um corpo. O orgasmo é o que mais se aproxima, mas é grosseiro e insignificante em comparação." (pag. 380)
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Séries: sublinhado
Confessionário (2)
“That’s not a diamond, it’s just a rock.”
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Séries: confessionário
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Confessionário (1)
Podemos ser miseravelmente infelizes, mas, oh, quando tocamos a felicidade somos inalcançáveis!
É preciso cuidar para que os cacos de vidros que deixamos pelos caminhos não machuquem, inadvertidamente, os pés de quem vem logo atrás e com isso não nos tirem a força de ser quem somos.
Há quem veja uma rosa em toda sua exuberância e o único comentário que terá, será: como tem espinhos, meu Deus!
Peter Llewelyn Davies: This is absurd. It's just a dog.
J.M. Barrie: Just a dog? Porthos dreams of being a bear, and you want to shatter those dreams by saying he's just a dog? What a horrible candle-snuffing word. That's like saying, "He can't climb that mountain, he's just a man", or "That's not a diamond, it's just a rock." Just.
“Quote” do filme Finding Neverland
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luciana MELO
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Séries: confessionário
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Séries: Post-it
Espasmos # 6
Num tom entre o descrente e o irônico, uma outra voz retrucava o mesmo refrão até o ponto de reproduzir ecos que me lembravam que eu não poderia fugir ao meu destino.
Então, escolheu o melhor diamante – límpido e duro – tatuando-me sobre a pele a pergunta tão preciosa:
“Mata-me a curiosidade, conta-me, a vida ainda vibra?”
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luciana MELO
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sublinhado (2)
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terça-feira, janeiro 10, 2006
CFP regenerada
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Séries: Post-it

Balthus
Eu sempre me liquefaço em dias de chuva – nunca te disse? Pois é. Dissolvo-me. Diluo minha matéria bruta para aliviar meu peso, meus passos, pois sendo líquido posso vazar pelos poros transformando-me em corredeira ou simplesmente evaporar sem deixar vestígios.
Espasmos #2
É que na maioria das vezes sou mesmo corredeira volumosa...
Nunca escutas?
Quantas vezes precisarei desembocar em ti para entenderes a violência dos sentimentos gerados pela força das minhas águas?
Suplico ao vento que pare de soprar: estou exausta de tanta arrebentação.
Espasmos #3
E quanto mais gritava ao vento, menos era ouvida. A voz era dissipada pela velocidade do ar... senti-me órfã, abandonada, lançada ao redemoinho, ao pó... comigo, uma folha de papel era arremessada ao nada; esperei os movimentos, decorei sua rotação e no momento exato do rodopio, agarrei-a com as mãos.
Espasmos #4
A folha estava amarrotada num claro gesto de quem deitou fora uma idéia que não servia ou não conseguia desenvolver. Bem no centro do papel, em destaque, lia-se a palavra “memória”.
Queria lembrar-se de algo? Ou esquecer? Não importa, agora de posse da memória de outrem, escreveria sobre vidas que não me pertencem, mas que são parte de mim.
Espasmos # 5
E alguém sussurrou ao longe algo que me pareceu ser assim:
“Diante do Tempo, a vida
Pode parecer uma irrelevância
(Talvez o seja mesmo).
O que fazer se o irrelevante
É tudo o que possuo?
Fechar uma porta,
Apagar a luz
Faz toda a diferença.
Não tenho a eternidade para saber...”
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luciana MELO
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louco ou visionário?
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