segunda-feira, janeiro 30, 2006

De profundis

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Para aliviar o rigor do inverno, Bruno Santos


Extasiada, abri o pacote.
Pela primeira vez via a sua pequena letra, pela primeira vez tocava algo que estivera antes em seu poder; uma marca, um perfume.
Não, jamais duvidara da nossa amizade, do afeto que nos une através de tantos mares em que navegamos a espera de um sinal, um aceno, uma confidência... mas agora era diferente – toda nossa ternura materializou-se como se num breve piscar de olhos minha mão alcançasse seus ombros e nos enlaçássemos no longo abraço tão almejado por nós.
Certa vez, disse-me que alguém que ama muito ensinou-lhe a falar sobre as coisas do coração, ensinou-lhe a não represar a força do verdadeiro amor. Eis aí um belo aprendizado, de outra forma, eu jamais saberia o que é ter o horto do meu coração em chamas.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

o homem que não sabia chorar (6)

Três dias para que o corpo se habituasse ao peso do sol. As costas curvadas e os braços como pêndulos soltos, roçando o chão em compassos apertados. Trazia os olhos secos como no dia em que nasceu, mas não se importava. Nunca o arrependimento teve coragem suficiente para detê-lo do que quer que fosse. Caminhava curvado, arrastando-se sobre a terra, mas caminhando. Curvado. A tesoura ainda no bolso… no coração, a imensidão do céu sobre o planalto, e no pensamento, o sonho cada vez mais próximo de rasgar definitivamente o horizonte.

o sorteio já passou, mas cá vai hmbf

sublinhado (13)

"Não viverei sequer mil anos, minha vida é rápida, risco no tempo, tal como um peixe salta um dia acima da vastidão do mar e vê o sol e um arquipélago onde se movem cabras entre as rochas, assim eu salto da eternidade, como todos, eis-me no ar, vejo o mundo dos homens, logo voltarei aos abismos marinhos. Este breve salto, esta aspiração ao ato de voar é tudo o que me foi concedido para ir da grafita ao grafito, para consumar o que os espongiários, em meio milhão de anos, nem sequer esboçam, limitando-se a passar, continuamente, de um sexo a outro, de um sexo a outro. Vens?" (pág. 31)
Avalovara (Companhia das Letras), Osman Lins

Espasmos # 7

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Espelho, Vítor Carralas
Sim, a vida ainda vibra...
...vibra na constância das minhas oscilações.
...vibra quando tudo arde, quando o sangue goteja, quando os corais esquecem-se por segundos de seus habitantes naturais e vem enfeitar meu corpo, despertando-me para o meu colorido, meu cabelo-alga, minha pele-escama, meus braços-nadadeiras... agora sou porto de mim.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Na estante (1)

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Fra Angelico
Dúvidas apócrifas de Marianne Moore

Sempre evitei falar de mim,
falar-me. Quis falar de coisas.
Mas na seleção dessas coisas
não haverá um falar de mim?

Não haverá nesse pudor
de falar-me uma confissão,
uma indireta confissão,
pelo avesso, e sempre impudor?

A coisa de que se falar
até onde está pura ou impura?
Ou sempre se impõe, mesmo impura-
mente, a quem dela quer falar?

Como saber, se há tanta coisa
de que falar ou não falar?
E se o evitá-la, o não falar,
é forma de falar da coisa?

João Cabral de Mello Neto.
In Agrestes. Editora Nova Fronteira, 1985.

Confessionário (5)

Mas seria como escolher entre o silêncio e a mudez, porque entre a delicadeza de não se fazer ouvir e o autismo para com os que fazem tudo gemer não existe substância. Eu prefiro a bofetada ao não-dito. Eu não sei gritar sem ver um rosto ainda que ele esteja oculto na escuridão.

relembrando

Ontem apareceu-me às mãos a Carta de Guadalajara, assinada em 85 pelo Barragan e o Urzúa. Dizia que a meta final da arquitectura é proporcionar bem-estar e felicidade ao homem, dizia que a arquitectura deveria ser humanista na sua essência (“Temos que resgatar para o habitat humano o equilíbrio essencial, a escala, a ordem, o amor, a poesia e essa comunicação* perdida pelo homem.”). À velocidade que as coisas se têm processado ultimamente, em que os experimentalismos formais sucedem-se em catadupa e as revistas da especialidade fazem o favor de nos bombardear com imagens apelativas a todo instante, faz-nos bem relembrar isto.
Há um mal geral na sociedade contemporânea, e não creio que seja apenas na arquitectura, uma espécie de preguiça em reflectir. Ninguém tem tempo para a reflexão, ou então encara-a como algo cansativo que pode arruinar num segundo o trabalho que se teve a engavetar determinados assuntos. É mais fácil varrer para debaixo do tapete. Próximo!

* referia-se à comunicação com a Natureza.

sublinhado (12)

"Mas o preço deste encantamento descontínuo é a extrema dispersão da personalidade e a fragmentação do tempo. Onde achar a unidade do Eu, quando este funde como neve ao sol? Como salvar estes instantes ameaçados de se afundarem para sempre no nada? A esta dupla questão, Proust e Virginia Woolf começaram por dar a mesma resposta. Acontece encontrar-se nesta corrente descontínua «um pouco de tempo em estado puro». O relógio pára, o tempo suspende o seu voo. Na solidão, o ser começa a viver, o seu desejo de existir no instante é finalmente alcançado. (...)
(...) Todavia diferentemente das «impressões felizes» de Proust, dos «momentos de iluminação» de Eliot, estes «momentos de ser», em Virginia Woolf, sólidos, transparentes, não são criadores. Inscrevem-se entre os demais, sem resgate. São «pequenos milagres quotidianos, revelações, fósforos inopinadamente riscados no escuro», mas nunca a grande revelação dramática de Marcel no momento de entrar no salão dos Guermantes, quando vê enfim diante de si o futuro onde se vai inscrever a sua obra. Para a busca proustiana há uma solução, e perante o tempo, uma orientação nova e brusca que decide das relações do personagem com a sua vida tal como a vivera, com a morte que está ali à sua frente. Nada de semelhante em Virginia Woolf. A gota de tempo, por um instante suspensa, cai de novo no telhado da nossa alma. Uma experiência cumpriu-se, uma nova etapa passou. Cada um volta a partir com a pequena sacudidela que se dá a um relógio de pulso parado (...)" (págs. 77 - 79)
Virginia Woolf (Relógio D'Água), Monique Nathan

... não faço ideia do porquê destas músicas retro cá no blogue ...
apetece-me e pronto
... talvez seja a vontade de rir sempre que ligo ou desligo a página ...

quarta-feira, janeiro 25, 2006



"Sweet Nothin's" »» Brenda Lee

com imensas saudades da Lu, mas feliz... sensação de coerência neste blogue...

Faria hoje 123 anos

"Observei com uma clareza desiludida a falta de identidade da rua; as suas varandas e cortinas; as roupas castanhas, a cupidez e a complacência das mulheres que trabalhavam nas lojas; os velhos passeando com as suas roupas de lã; a forma cautelosa como as pessoas atravessavam a rua; a determinação universal de se continuar a viver quando a verdade é que, seus idiotas, uma qualquer telha vos podia cair em cima e este ou aquele carro galgar o passeio, pois não existe qualquer espécie de lógica ou razão quando um homem embriagado caminha pela rua com um varapau na mão.

As Ondas, Virginia Woolf

terça-feira, janeiro 24, 2006

sublinhado (11)

"Giles e Isa Olivier, Clarissa e Richard Dalloway, Mr e Mrs. Ramsay, nenhum dos três casais alcança a união total. Exceptuado o amor físico que não passa da satisfação do instinto de procriação, não pode haver amor feliz. Desemparelhados, solitários, o homem e a mulher perseguem isoladamente o seu sonho sem se reunirem de outro modo que não apenas entre os actos, e defrontando-se para sempre um ao outro. Longe de quebrar a solidão fundamental do ser, o casamento torna a do outro maior. É uma falsa saída, uma porta enganadora para a liberdade, e o mistério continua total: «Ali está um quarto, acolá outro», ali a mulher com as suas necessidades, os seus desejos, e acolá o homem, não inimigos, mas estranhos semelhantes a dois círculos que nunca podem coincidir por completo. Seja o que for o amor, nunca se chegará a formar um único ser indivisível e imenso, nunca há senão dois indivíduos, pequenos e separados." (pág. 54)
Virginia Woolf (Relógio d'Água), Monique Nathan
Será?

IV

Quem caminhava entre a violeta e a violeta
Quem caminhava entre
As várias filas de vário verde
Indo de branco e azul, nas cores de Maria,
Falando de coisas triviais
Na ignorância e na sabedoria da eterna dor
Quem se movia entre os outros que caminhavam,
Quem então tornou poderosas as fontes e frescas as nascentes

Esfriou a seca rocha e consolidou as areias
No azul das esporas, nas cores de Maria,
Sovegna vos

Estes são os anos que caminham de permeio arrastando
Consigo os arcos e as flautas, restaurando
Aquela que se move no tempo entre o sono e a vigília, vestida

De branca luz envolvente, cingida em seu redor, envolvente,
Os novos anos caminham, restaurando
Através de uma clara nuvem de lágrimas, os anos, restaurando
Com um verso novo a rima antiga. Redime
O tempo. Redime
A obscura visão do mais alto sonho
Enquanto unicórnios ajaezados puxam o esquife doirado.

A irmã silenciosa velada de branco e azul
Entre os teixos, para lá do deus do jardim
Cuja flauta emudeceu, baixou a cabeça e acenou mas nada disse

Porém a fonte jorrou e a ave cantou
Redime o tempo, redime o sonho
O penhor da palavra ensurdecida, emudecida

Até que o vento sacuda do teixo sussurros mil

E depois deste nosso desterro.

T. S. Eliot

In “Quarta-Feira de Cinzas”, Relógio d’Água
Trad. Rui Knopfli

sublinhado (10)

"Ela é, como T. S. Eliot, sensível ao espectáculo da rua, à poesia das cidades, da Cidade - e Londres está sempre presente nela para lá da sua inospitalidade aparente. Basta ao transeunte ocioso seguir o passo de Clarissa Dalloway, quando sai de casa para comprar flores, para se orientar no West End, como se tivesse nascido lá. Hora a hora, Virginia desenrola o seu fio de Ariana através do dédalo das ruas e avenidas, tal como Leopold Bloom ao longo de Dublin (...)" (pág. 25)
Virginia Woolf (Relógio d'Água), Monique Nathan

segunda-feira, janeiro 23, 2006

ainda "caché"

“Caché” é a metáfora da arrogância subtilmente explicada desde a génese à sua manifestação física. Um personagem atormentado por fantasmas do passado, o peso da consciência e o rebuliço dos remorsos a destruírem, pouco a pouco, a imagem de sucesso que foi construindo à sua volta. O medo cresce à medida que o jogo avança e torna-se o único juiz. É ele quem comanda os actos e determina os destinos dos personagens. É o medo que escolhe a cobardia do caminho, é ele que impossibilita a comunicação e apresenta a mentira, é ele a imagem da arrogância que invalida o “porquê” do outro, que transforma as palavras do próximo numa mímica, num murmúrio inaudível. No fim, duas ou três palavras são suficientes para destituir o “intelectual”; um discurso simples, três ou quatro verdades numa atitude humilde e educada e o medo derretendo lentamente as fundações frágeis que sustentam o que resta da imagem. Há quem confunda “simples” com “simplório”, o filme tira todas as dúvidas. E não, por certo que a escolha do ambiente sócio-cultural dos personagens não é capricho do autor.

sublinhado (9)

"- as minhas mãos envolviam-me o rosto e eu chorava e soluçava tudo o que havia para chorar e soluçar. Não sei quanto tempo estive assim, mas, enquanto as lágrimas jorravam de dentro de mim, eu sentia-me feliz e sabia que nunca me tinha sentido tão feliz por estar vivo. Era uma felicidade inconcolável, uma felicidade para além do infortúnio, para além de toda a fealdade e beleza do mundo. Por fim, as lágrimas abrandaram, e eu fui até ao quarto mudar de roupa. Dez minutos depois, estava de novo na rua, a caminho do hospital para ir ver Grace." (pág. 201)
A Noite do Oráculo (Asa), Paul Auster

curioso, reparei agora que os dois últimos posts combinam perfeitamente, (não foi propositado, juro).

ainda lá voltarei, mas para já pergunto:


sábado, janeiro 21, 2006

something I wish to say long ago

Ah, look at all the lonely people!
Ah, look at all the lonely people!

Eleanor Rigby picks up the rice in the church
Where a wedding has been,
Lives in a dream,
Waits at the window, wearing a face
That she keeps in a jar by the door,
Who is it for?

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

Father McKenzie, writing the words of a sermon
That no one will hear.
No one comes near.
Look at him working, darning his socks in the night
When there's nobody there, what does he care?

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people!
Ah, look at all the lonely people!

Eleanor Rigby died in the church and was buried
Along with her name.
Nobody came.
Father McKenzie wiping the dirt from his hands
As he walks from the grave
No one was saved.

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?
John Lennon and Paul McCartney

Confessionário (4)

E de entre a delicadeza dos que batem as portas sem fazer barulho, e a violência de gestos dos que não se incomodam com o rangido dos ferros e das aldravas, eu não consigo escolher. Entre o estouro da bofetada e a incumbência do não dizer, é-me impossível medir a dor, eu não consigo escolher. Sei, somente, e disso tenho quase certeza, que o fantasma é filho bastardo do silêncio.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

rejected

"Rejected" »» Daniel Blaufuks

quinta-feira, janeiro 19, 2006

coisas bonitas aparecem na caixa do correio electrónico

Segundo Poema da Solidão

Serei tão secreta
como o tecido da água

e tão leve

e tão através de mim deixando passar
toda a paisagem

e todo o alheio pecado
do gesto, da presença ou da palavra

que logo que a tua mão me prenda
me não acharás:

serei de água

Glória de Sant’anna, Moçambique

Enviado pela Amélia

a propósito do post anterior, vale a pena ler

"Rejected" »» Daniel Blaufuks
"Quando passeio entre as campas do cemitério judaico em Lisboa, reconheço os nomes gravados na pedra, como se estivesse num cemitério de aldeia.
Uns pertenciam ao círculo mais próximo dos meus avós, ao grupo da canasta, outros iam, como nós, à sinagoga em dias de festa ou ao centro israelita aos sábados à tarde. Alguns nomes são anteriores a estes, avós, tios ou pais, que conseguiram também escapar. Das 50 mil a duzentas mil pessoas que passaram por Lisboa, apenas cinquenta aqui ficaram.
Agora temos três campas neste cemitério. Como muitas outras, pertencem à história desta guerra.
Os meus avós sairam de Hamburgo e chegaram ao porto de Lisboa no dia 8 de Abril de 1936, para não mais partirem. Segundo as cartas do meu avô, o mar esteve calmo e a viagem foi aborrecida. Talvez estivesse apenas ansioso pelo início da sua segunda existência. A minha avó enjoou, não do mar talvez, como pensou o meu avô na altura: a minha mãe nasceria, meses mais tarde, em Outubro, neste porto de abrigo.
Na Alemanha decidimos emigrar o mais rápidamente possível. As condições pioraram colossalmente, o que passou despercebido no resto da Europa, não só para nós judeus, mas em geral também.
Portugal era o único país europeu possível e existia o perigo de também fechar as fronteiras.
Assim casámos no dia 16 de Março, apenas no registo, porque tudo o mais teria custado muito dinheiro que precisávamos para outros fins.
No dia 31.3. à tarde deixámos Magdeburgo acompanhados na despedida por familiares e pelos nossos amigos.
Embarcámos, depois de tudo correr bem, no dia 3.4.36 no Monte Olivia, poderiamos ter trazido milhares connosco.
A viagem foi aborrecida, o tempo estava fresco e o mar tranquilo. Mesmo assim, a minha mulher enjoou, aproveitando pouco da travessia.
A 8 de Abril, pouco antes da Páscoa, chegámos com um tempo maravilhoso. As palmeiras resplandeciam ao nosso encontro
."
Sob Céus Estranhos, Daniel Blaufuks

sublinhado (8)

"«Pois é. Mas pelo menos vais ser publicado em Portugal. Alguma coisa a opor?»
«Não, nada. Pessoa é um dos meus escritores preferidos. Deitaram abaixo Salazar e agora têm um governo decente. O terramoto de Lisboa inspirou Voltaire a escrever Candide. E Portugal ajudou milhares de Judeus a fugirem da Europa durante a guerra. É um país bestial. Eu nunca lá estive, é claro, mas, queira ou não queira, é lá que eu vivo agora. Não, Portugal é perfeito. Do jeito que as coisas se têm passado nos últimos dias, só podia ser Portugal.»" (pág. 132)
A Noite do Oráculo (Asa), Paul Auster
peço desculpa, mas este tenho que comentar:
parêntesis 1: "... e agora têm um governo decente." (vai sendo democrático, dentro dos possíveis...) ???
parêntesis 2: "E Portugal ajudou milhares de Judeus a fugirem da Europa durante a guerra." (o Blaufuks iria gostar de ler isto... alguns passaram, e a quantidade astronómica de vistos recusados pelo governo português da altura? Podem ver a cara de alguns dos rejeitados aqui.)
parêntesis 3: "É um país bestial. Eu nunca lá estive..." (eu diria é um país simpático, bestial é demasiado... que nunca cá esteve nota-se!)
parêntesis 4: Será que todos os estrangeiros têm uma opinião tão lisonjeira de Portugal? Humm...

quarta-feira, janeiro 18, 2006

o homem que não sabia chorar (5)

O tempo começava a queimar-lhe as pestanas. Dias de espera e o horizonte não falava, nem uma palavra, nem uma lasca a furar-lhe os olhos como pressentira. A sua vontade era de caminhar no planalto, correr sobre a terra vermelha até que os pés fossem sangue e se confundissem com ela. Tinha a certeza que lá chegaria, e que debaixo da linha recta que dividia o céu da terra haveria um segredo muito maior, um mundo repleto de espelhos que produziam luz, como máquinas numa fábrica, todos sincronizados trabalhando em uníssono para o mesmo fim. E sabia ser essa a luz que lhe traria de volta o coração. Enquanto esperava, media a distância que o separava do horizonte. Dizia, se não é miragem o que vejo, então é porque deus me deu pernas para lá chegar. O homem que não sabia chorar pressentiu pela segunda vez e de novo acreditou. Meteu num bolso uma mão e no outro uma tesoura. E caminhou.