Acordo!
Imagens distorcidas,
Bocas estarrecidas
Apresentam o poema-farrapo.
Acordo!
Palavras esboçadas,
Rimas fatigadas
Turvam o poema-miragem.
Acordo!
Idealizo a arquitetura,
Costuro a urdidura.
E nasce o não-poema.
(Luciana Melo 20/11/01)
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Séries: Metapoemas
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Séries: cinema
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Séries: sublinhado
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Séries: As Matriarcas
Crimes de la Commune: Le Massacre des dominicains d'Arcueil, le 25mai 1871,
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Séries: confessionário, fotografia
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Séries: sublinhado
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Séries: Metapoemas
Ontem, depois de publicar 'a história que te conto', vinham-me sucessivamente à cabeça os personagens das narrativas de Bill Henson. Quando olhamos os rostos pálidos iluminados ao jeito de Caravaggio e perdidos no meio da escuridão, cresce-nos uma sensação de alienação, de deriva, de seres errando absolutamente sós. Na primeira vez que me deparei com as imagens do artista australiano foi esse cenário cinematográfico que me ficou na memória: rapariguinhas frágeis e desprotegidas, alienadas, entregues à sorte que a noite na sua perversidade fosse capaz de lhes oferecer. Olhava-as como se a sua solidão tivesse sido obra do destino, casual, como se ao final da tarde errassem o caminho de regresso a casa e a noite as engolisse e as levasse para a escuridão do bosque. Via-as perdidas, desprotegidas, expostas a penas e perigos que rapariguinhas daquela idade não podem suportar. Depois de escrever o último texto lancei-me ao site para rever as imagens e apercebi-me de que a minha primeira análise estava completamente errada. A solidão daquelas rapariguinhas assemelha-se muito à ideia de solidão que eu queria fazer transparecer naquele texto. Não é uma solidão alienada, aterrorizada, que transforma em vítima quem, ou o que se perdeu. É antes uma solidão activa, assumida, de alguém que entra na noite à procura de se redescobrir, de testar em si a amplitude dos seus próprios limites. Não é uma mulher abusada entregue ao desespero e à solidão que vejo na imagem em baixo, mas antes uma outra, que na sua solidão deseja o abuso e o desespero. O desenho dos seus lábios parece dizer-me que se trata de uma escolha tranquila.
Untitled #7, 2005/06, Bill Henson
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falas-me no tom correcto
quando afirmas que esta
história tem o cheiro das
palavras em despedida.
no fundo é de um adeus
que se trata. não há mais
nada para além de uma mão
que acena (sem lenço branco)
à crença de que um homem
possa ser maior do que a
solidão. e quando te falava
do lugar de onde todos viemos
e ao qual regressamos sempre,
não era vontade minha ser
cruel, nem tão pouco absorver
o mundo com desesperança.
haja ou não fé, carregamos
quotidianamente o estigma
do ilhéu e não há amor que
nos salve… a não ser que o
mesmo amor possa existir
independente e se aproxime
daquilo que o homem provou
quando inventou a liberdade.
não é de ti que me despeço,
nem de mim, nem do meu
amor. despeço-me da ideia
de não existir só. apenas.
a poeta dizia que a ‘arte da
natureza pede o amor em
dois olhares.’ e não poderia
tê-lo dito mais correctamente:
a natureza pede o teu olhar
e pede o meu olhar. o meu
amor por ti exige-me que
eu possa olhar o mar contigo,
ainda que o meu mar seja
verde e o teu mar seja azul.
e verde seja a cor da minha
solidão e azul a cor da tua.
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Séries: a história que te conto

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Séries: Metapoemas
e vivo os melhores anos
da minha vida na certeza
de que se partires haverá
sempre céu entre nós; e
quando olhar uma pedra
no chão, ou a porta bater,
ou este vento frio de inverno
me queimar a face como
o fez hoje, saberei que é
a tua boca que me beija.
se levares o teu corpo para
longe, se o roubares de mim,
a minha alma será sempre o
reflexo exagerado dos teus olhos:
se sorrirem ela dará gargalhadas,
se chorarem ela morrerá de
tristeza. antes de me seres
já o eras, e eu amava-te…
como te amava! do que é teu
só o meu amor me pertence,
nada mais. o teu corpo
não é propriedade minha,
nem o teu coração, nem
o teu amor. nem o teu amor.
se partires ficará a saudade
do teu cheiro a lembrar-me
continuamente como sou feliz.
porque amar-te é lavar-me dia
após dia a alma, mesmo que
o meu corpo não se vista de ti e
os meus olhos não te alcancem.
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Séries: a história que te conto
Um homem é mais um homem pelas coisas que cala do que pelas coisas que diz.
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Séries: sublinhado
DO AMOR IV
Esta vista de mar, solitariamente,
dói-me. Apenas dois mares,
dois sóis, duas luas
me dariam riso e bálsamo.
A arte da Natureza pede
o amor em dois olhares.
Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007)
in "As Fábulas", quasi edições
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Séries: As Matriarcas
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Séries: imagens que se colam ao peito
a história que te conto
não tem o lume branco
do poema, nem a água
turva do mar alto, existe.
como se reais fossem os
sonhos que alimentam
o desejo de querer-me,
querendo-te. não falarei
de amor. não falarei de
mágoa nem de saudade
nem da curva que se ergue
sobre o teu pescoço onde
descanso todas as noites.
dir-te-ei que se partir, tu
saberás como e para onde
vou, saberás que estarei
onde sempre me achaste;
porque não se pode ser
duas vezes. não se pode
amar duas vezes quando
deus nos lava as mãos
com fogo. estarei lá, enfim,
no monte dos ascetas. o
mesmo de onde vieste,
de onde vim, de onde
viemos todos. sem medo,
pagarei com a alma e com
o corpo a solidão e o desejo
que não soubemos guardar.
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Séries: a história que te conto
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Séries: Na estante
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Séries: As Matriarcas
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Séries: Radiola
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Séries: Post-it
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Séries: Post-it