O amor mais rico é o que se entrega ao arbítrio do tempo. (Pursewarden) (pág. 282)
terça-feira, março 27, 2007
sublinhado (56)
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sábado, março 24, 2007
sexta-feira, março 23, 2007
As matriarcas (7)
Às 7 horas da manhã, o sino da igreja badalou anunciando a primeira missa do dia. Nem mesmo o sermão de Pe. Miguel escapou de referenciar o fenômeno. Por mais que ele tentasse explicar não havia jeito.
Os mais idosos estavam temerosos, pois ainda guardavam consigo antigas crendices escatológicas. A meninada queria ficar acordada para ver a lua tingir-se de vermelho.
Naquele dia, apenas eu e mamãe fomos à Igreja. Saímos cedo, sorrateiramente, para que a bisa não notasse. Mamãe não dava ouvidos às manias da cidade e para não exasperar a bisa e nem contrariar suas regras, preferiu não ser vista.
Quando voltamos da missa, a casa estava toda fechada. Apesar do imenso calor, as janelas estavam cerradas, as cortinas baixas, portas chaveadas. Diante do oratório, a bisa rezava o terço pedindo misericórdia à Virgem Maria para que “São Pedro não acabasse em chamas”. Tia Margarida andava de um lado para o outro da casa e atrás dela vovó Totonha com um copo de água com açúcar:
- Bebe, Guida, vai te acalmar.
Eu não entendia porque um simples eclipse causava tanto desequilíbrio na rotina de todos. Tudo o que eu mais queria era pegar minha bicicleta e rumar para a clareira quando chegasse a hora. Queria observar tudo de perto.
À noite, após o jantar, levantei-me depressa da mesa e fui caminhando em direção ao quintal. A bisa puxou meu braço e perguntou:
- Onde é que a mocinha vai?
- Guardar a bicicleta – respondi gaguejando, sinal evidente da minha mentira.
- Ninguém sai de casa hoje, Olívia.
- Mas bisa, eu combinei de encontrar a turma na clareira.
- Amanhã, Olívia. Amanhã.
Chateada, fui para o quarto. Foi assim que perdi o primeiro eclipse da minha vida.
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Séries: As Matriarcas
quarta-feira, março 21, 2007
Confessionário (43)
Percebo perfeitamente a tua dificuldade em encontrar palavras para me preencheres o coração de carinho. Eu teria dificuldade idêntica. Mas não te apoquentes… a tua luz e a tua presença são suficientemente fortes para me fazerem olhar a vida com ternura.
Sabes, minha querida, tenho-me convencido (e parece-me que de forma definitiva) que não existe nada mais real do que a solidão, ainda que em alguns momentos da nossa vida ela possa ser abraçada por outras solidões que gravitam no mesmo espaço e na mesma frequência.
Não há fusões, somos inevitavelmente seres independentes. Tocamo-nos, beijamo-nos, abraçamo-nos, olhamo-nos, mas não há casa, por mais generosa que seja, capaz de abrigar o ‘eu’ e o ‘outro’. Sofremos todos do síndrome do ilhéu. Das nossas praias podemos avistar outras, a nossa perspectiva pode até assemelhar-se a um diaporama maravilhoso de todo o arquipélago, mas jamais deixamos de ser uma unidade rodeada de água por todos os lados.
Não é com sofrimento ou pessimismo que constato isto. Sabes que sou optimista por natureza. Mas talvez, erradamente ou porque me forçaram a acreditar, eu tenha imaginado que o amor era capaz de transformar duas ilhas numa ilha só. O amor como uma espécie de vulcão nascido do fundo do mar que vai jorrando lava continuamente até formar um território virgem capaz de nos ligar à ilha mais próxima.
Assim como no ventre da mãe, dois gémeos siameses ligados por uma qualquer parte do corpo e protegidos pela mesma placenta vão desenvolvendo cada um o seu coração, também a nossa ilha, ainda que ligada a outra pela força de um vulcão, encerra em si os seus próprios segredos, a sua individualidade marcada pela idade das rochas e dos troncos das árvores. Não temos o direito de ambicionar ter, possuir, conquistar o que não é nosso por natureza… parece-me um facto.
Despeço-me com um beijo enorme e com a promessa de continuar esta confissão, que fica assim em reticências, até que o trabalho me dê algum descanso e me permita continuá-la do modo que pretendo.
O teu Vítor.
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Na estante (9)
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua
(...)
Restam outros sistemas
fora do solar a colonizar.
Ao acatarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
Carlos Drummond de Andrade in A palavra mágica. Record, 1997.
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terça-feira, março 20, 2007
Le Soleil est près de moi
Imagem: Figure Blocking Sun (Cesar), 2006, John Gerrard
Musica: Le Soleil est près de moi (Premiers Symptomes), Air
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domingo, março 18, 2007
Ele merece!
Aos 65 anos, ele é autor de 15 livros, quatro dos quais lançados no Brasil pela Objetiva: Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, Conhecimento do Inferno, Memória de Elefante e Os Cus de Judas, o mais vendido. Ele recebeu a notícia em Lisboa, onde nasceu e vive até hoje e vai receber lá os 100 mil (cerca de R$ 270 mil) relativos ao prêmio em 10 de junho deste ano.
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terça-feira, março 13, 2007
sublinhado (55)
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(A Ferreira Gullar)
A poesia nasce da prosa,
Da linguagem cotidiana,
Na noite veloz que envolve os barulhos.
Ela sintetiza a vida no papel,
Vida que transcende os signos, as palavras
E ecoa nos corredores da percepção.
Ironiza o poeta:
“A poesia, senhores, não fede nem cheira”.
Contudo ele fabrica o poema sujo
E comprometido com seu tempo.
Poema que exala o suor dos homens.
Homens de amores desbotados, encardidos.
De roupas poucas e rotas,
De vozes escassas, roucas, sumidas.
(Luciana Melo 16/10/01)
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segunda-feira, março 12, 2007
Confessionário (42)
Suzanne and Philippe on the bench, Tompkins Square Park, New York City, 1983.
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terça-feira, março 06, 2007
As matriarcas (6)
Já que não havia ninguém para atender, resolvi bater palmas – um velho hábito do interior – para pedir ajuda.
- Ô de casa!
Nenhuma resposta.
- Ô de casa. Tentei novamente, mais forte dessa vez.
Lá do fundo da loja alguém respondeu:
- É já.
Em alguns segundos, surge uma figura simpática e bonachona. Entrou sorrindo largo, dentes branquíssimos, cara redonda. Não me restaram dúvidas. Só podia ser o pai de Tiziu, afinal, eram os mesmos olhos brilhantes.
- Bom dia, moça.
- Bom dia, Sr. Geraldo. Eu sou Olívia e...
- Ah! O Tiziu me falou da senhora. A professora lá da capital.
Segurei firme o riso. Fiquei imaginando como teria sido o relato daquele moleque. Ele viu os livros que trouxe e deduziu que sou professora. O que não deve ter sido muito animador, uma vez que a escola não é assunto que lhe pareça agradável.
- Isso mesmo. Ele disse-me que o senhor poderia conseguir uma boa bicicleta pra mim.
- Eu posso, mas é de segunda mão. Não se importa?
- De forma alguma. Como não vou ficar muito tempo, talvez um mês ou dois, pensei em alugar uma.
- Alugar? Nunca fiz isso, não senhora. Eu conserto, pinto, monto, desmonto, mas alugar... é novidade. Eu posso emprestar.
- Não, Sr. Geraldo. Veja aí uma bicicleta e diga o preço. Eu compro. Quando eu for embora, deixo para o senhor arrumar uma venda, um bom negócio.
Saí de lá montada numa bicicleta vermelha, com raios brilhantes, retrovisor e uma buzina de som extravagante.
É. Bicicleta é um meio de transporte sério em São Pedro das Missões.
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segunda-feira, março 05, 2007
sublinhado (54)
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quinta-feira, março 01, 2007
escolhas
Trocámos uma manhã prevista em Dachau por um passeio no English Garden. Não chegámos sequer a visitar Dachau... não estou nada arrependido.
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terça-feira, fevereiro 27, 2007
Radiola (7)
Sinal Fechado
Paulinho da Viola
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quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Na estante (8)
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segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Metapoemas (4)
BRECHÓ
Não se parte se cair.
Fizeste-me a alma em farrapos...
Bem: não se pode partir”
Fernando Pessoa
Por que temer, se ela cair?
De tão usada se torna trapo,
Esgarça o tecido – fiapo por fiapo.
Mas quebrar?! Como, se não se pode partir?
Palavra guardada é fruta mofada.
Perde o viço, o brilho sedoso do cetim.
Palavra bela é palavra usada,
Gasta, catada no chão, no jardim.
O perigo da palavra
Não é utilizá-la nem deixá-la cair,
E, sim, que sua lâmina afiada
Corte a carne de quem a quer polir.
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sexta-feira, fevereiro 16, 2007
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
a história que te conto (4)
terá sido no peito que
guardei o teu cheiro? terá
ele atingido proporções
de nenúfar como na história
de boris? é que há horas
em que o peito me rebenta
incomensuravelmente e
eu vivo uma espécie de
morte maravilhosa, como
se o fim que ela carrega
anunciasse o renascimento
do universo através de mim.
e se um dia partires será
pelo nariz que perseguirei
o teu corpo. serei parente
do cão cego de saint-jean
(lembras-te?) reconstruirei
a tua carne na minha como
ele reconstruía a cidade
inspirando as cores de cada
esquina, de cada estátua.
o meu amor não teme a
distância do teu corpo nem
a saudade dos teus beijos
ou dos teus abraços, teme a
impossibilidade do teu cheiro.
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Séries: a história que te conto
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
As matriarcas (5)
- Bom dia.
- A senhora gostou do quarto?
- Sim, está confortável. Obrigada.
- Se precisar de alguma coisa...
- Na verdade, preciso, sim. Quero dar uma volta pela cidade, mas primeiro preciso encontrar o Tiziu. Ele disse-me que seu pai conseguiria uma boa bicicleta para mim.
- Ah, sim! Neste horário, o moleque Tiziu deve estar no Grupo Escolar, mas a loja do Geraldo fica bem perto daqui. Venha, eu mostro pra senhora.
De fato, a loja era bem perto. Do outro lado da praça, para ser mais precisa. Parece que tudo de relevante para a cidade ficava na praça da Matriz. Igreja, coreto, hotel, uma sorveteria e a loja do Sr. Geraldo.
Lembro-me perfeitamente das missas de domingo na Matriz. Eram longas, demoradas demais mesmo. Causavam sonolência nos fiéis. No entanto, era o dia mais movimentado e esperado da semana. Mamãe punha-me laços no cabelo. Vovó Totonha usava seu colar de pérolas – presente de casamento – e vestido de linho branco muito bem engomado. A bisa, como era muito gorda, estava sempre de chambre de algodão e um coque trançado. Tia Margarida, muito alta, pernas longilíneas, gostava de saias plissadas e de perfume. Ela passava tanto que eu ficava enjoada, mal conseguia tomar café da manhã, mas nunca a repreendi, nunca pedi que abandonasse tal prazer, afinal eles eram tão poucos.
Depois da missa começava o melhor: pipoca, algodão doce, bandinha tocando, as crianças correndo livres pela praça. Na época de quermesse, tia Margarida vendia seu famoso licor de jenipapo e vovó Totonha levava seus deliciosos beijus. Eu voltava para casa com dor de barriga.
Tia margarida, antes de ficar doente, dava aulas no Grupo. As crianças adoravam-na. Faziam fila na barraca para provar do seu licor, que era muito doce e tinha quase nada de álcool. Eu sei porque experimentava em casa. Ela dizia “a prova final é a Olívia quem dá”.
- D. Olívia. D. Olívia.
- Tiziu! Eu procurava mesmo por você.
- É?
- É. Estava indo à loja do seu pai alugar uma bicicleta, mas me diga, você não deveria estar na aula, mocinho?
- Eu tava, mas é que... é que...
- Mas é que você está cabulando aula.
- Não conta nada para o meu pai, por favor.
- Não conto se você der meia volta.
O bico habitual surgiu em seu rosto.
- Esse bico de novo, não! Volte para a aula e mais tarde convido você para um passeio de bicicleta e ainda contrato seus serviços de guia. O que acha? Vai querer?
O olhinho dele brilhou. O bico sumiu.
- E a dona paga? Quanto?
- Pago, claro que pago. Combinamos isso depois. Agora volte já para a escola.
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Séries: As Matriarcas
sábado, fevereiro 10, 2007
imagens que se colam ao peito (18)
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Séries: imagens que se colam ao peito
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
sublinhado (53)
A propósito... alguém parece corroborar:
Uma pessoa faz amor simplesmente para confirmar a sua solidão. (Pursewarden) (pág. 72)
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Memória
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quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Confessionário (41)
Li tua última confissão atentamente e repetida vezes. Refleti sobre as questões que levantastes e conferindo a mim total liberdade de pensamento e análise crítica, respeitando meus pré-conceitos e limites, meus princípios e valores, de tal forma que o que escrevo agora é a expressão fidedigna dos meus sentimentos e avaliações. Com isso não almejo “a verdade” nem ser a voz que a proclama. É um ponto de vista tão somente a partir dos meus julgamentos. E como já disse no comentário, julgar, avaliar, especular, inferir é diferente de condenar. É um direito que tenho de fazê-lo quando me vejo direta ou indiretamente envolvida no problema.
Vítor, darei nome aos bois. Isentei-me até agora de comentar o ocorrido porque não conhecia a pessoa envolvida, mas isso não combina comigo. Costumo pronunciar-me diante do que me causa incômodo. Sou de dar a cara a tapa. Não sou das hipocrisias e das covardias. Os fatos geram críticas que geram posicionamentos. Eis o meu. Depois disso não falo mais. Não quero adicionar capítulos a esse episódio lamentável sobre todos os aspectos.
Quero, contudo, não perder o norte desse confessionário: a questão da confiança e do respeito, em primeiro lugar. Depois vem a questão maior: o Homem. Mas sobre isso não tenho a intenção ou pretensão de dissertar. Há milênios as mais diversas áreas do conhecimento têm tentado compreender sem chegar a nenhuma conclusão.
O caso M.E.G
Não a conhecia. Nunca trocamos e-mails. Não freqüentava seu blogue. Soube dela pelo link que colocastes na brasosfera e depois lendo amigos em comum. Num primeiro momento não entendi absolutamente nada. Imaginei que estava se despedindo da vida de blogueira. Foste tu quem chamou minha atenção para o fato de sua morte. Apesar de ter contato zero com ela, fiquei bastante consternada, afinal é uma vida e nesse universo virtual esse conceito ganha outras proporções. Estranho sentir pesar pelo desaparecimento de uma pessoa que nunca vimos e que de certa forma se torna tão presente. Senti pesar pela família dela – a sangüínea – e também pela família virtual que conseguiu formar através de seu blogue. Pensei em duas pessoas em particular: no Henrique e no Carlinhos – que eu não conheço e quero tanto bem. Freqüento com alguma assiduidade o blogue de ambos.
Mais tarde pensei em nós, meu Vítor. Se algo nos acontecesse (e um dia irremediavelmente acontecerá a todos nós). Fiquei silenciosa em sinal de respeito.
Poucos dias depois, vejo a rede em polvorosa: M.E.G não morreu! Como assim? Pensei comigo: que bom. Alguém deve ter feito confusão. Depois vi que não era confusão. Passei a ler atentamente os fatos apresentados – alguns mais imparciais; outros mais apaixonados – e entendi que não era engano, mas um blefe, uma história montada. Tive asco, horror e depois uma grande desesperança.
E aí nos vemos enredados pela máxima “Don’t trust nobody!”
O caso da M.E.G infelizmente é mais um para as estatísticas, meu Vítor. O mundo está recheado de infelicidade e solidão. Não é privilégio da internet. Somos quem somos, apesar das máscaras que usamos. E um dia elas caem, mesmo que acreditemos estarem tão entranhadas que jamais desgrudarão de nossas faces. Desgrudam! São pessoas que fazem a net, muito embora ela seja uma máscara poderosa, talvez a mais porque tem o anonimato como cúmplice. Mas o desejo prometeico do Homem é infinito e quando encontramos possibilidades materiais, damos um jeito de desbaratar o anonimato. Nós que o digamos!
Você melhor do que ninguém sabe que, no ano passado, saí de três experiências traumáticas que quase destruíram minha alma (ainda bem que existe um quase nesta frase!). Duas delas tiveram maior peso: descobrir um estranho na pessoa que convivia comigo e quase perder a minha vida e a de minha mãe num seqüestro.
Passei 2006 ruminando a frase “don’t truste nobody”. Jurei a mim mesma que me tornaria um bloco de gelo. Esqueci do detalhe que o gelo derrete e graças a Deus ele derrete! Não vou transformar-me em algo que não sou.
Como te disse no comentário, as doenças são passíveis de compreensão, mas não as atitudes doentias.
Hoje, com algum distanciamento, eu consigo discernir tanta violência e egoísmo. Isso é bom porque posso perdoar e seguir adiante sem avinagrar meu espírito, mas não significa em hipótese alguma que eu aceite tais comportamentos e seja conivente com eles. Não sou tão cínica, penso eu. Aceitar e ser conivente é tornar-me um igual.
Há gente de todos os tipos e não é exatamente isto que enriquece a experiência humana? Sim, eu abriria mão de viver coisas desagradáveis, mas tais coisas tornam-se indispensáveis para sermos quem somos.
Há muita merda no mundo. Mas há também tanta beleza e doçura! Prendo-me a isso para fazer a vida valer a pena. Senão seria como diz o Carlinhos: “bum-bum”.
Vou continuar acreditando porque acreditando é que você tornou-se realidade na minha vida a despeito da descrença de muitos.
E como diz o ditado por aqui:
Quem gosta gosta. Quem não gosta que coma bosta.
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Séries: confessionário
Metapoemas (3)
Acordo!
Imagens distorcidas,
Bocas estarrecidas
Apresentam o poema-farrapo.
Acordo!
Palavras esboçadas,
Rimas fatigadas
Turvam o poema-miragem.
Acordo!
Idealizo a arquitetura,
Costuro a urdidura.
E nasce o não-poema.
(Luciana Melo 20/11/01)
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Séries: Metapoemas
terça-feira, fevereiro 06, 2007
IVG
Antes de mais quero deixar claro que o que nos perguntam é: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”. A pergunta parece-me suficientemente clara. Existe uma lei que criminaliza a mulher que por sua opção decide interromper uma gravidez que não deseja e a pergunta que nos fazem é tão e somente se, até às dez semanas de gravidez e nas condições que nos são apresentadas (estabelecimento de saúde legalmente autorizado), deveremos ilibar a mulher desse crime ou continuar a penalizá-la. Ninguém nos pergunta se somos ou não contra o aborto, ninguém nos pergunta qual o nosso conceito de vida intra-uterina, nem o valor que a vida tem para cada um de nós. Dizem-nos: existe um crime e o que queremos saber é, se nestas condições, esse crime deverá continuar a ser ou não considerado pela lei. Tenho ouvido ao longo da campanha opiniões que ponderam a objectividade da pergunta, honestamente, ela parece-me muito evidente.
Não há para mim valor mais fundamental do que o direito há vida e tenho certeza de que a maioria dos portugueses que vão votar no referendo o defendem com igual convicção. Agora eu pergunto-me, votando NÃO à pergunta estarei eu a contribuir para a erradicação do aborto? A resposta parece-me clara como a água: não. Indiferentes ou indignados, a favor ou contra a nossa vontade, o aborto continuará a ser uma realidade como sempre o foi até agora. É um facto que mulheres abortam e continuarão a abortar pelas mais diversas razões, sejam elas mais ou menos legítimas, tenham para nós maior ou menor justificação. São as suas razões e ponto final. Concorde eu ou não com a sua opção não me sinto no direito de julgá-las. O actual quadro legal pune a mulher que decide interromper uma gravidez que não deseja, facto que muitos defensores do Não apresentam com elemento dissuasor. Eu acho de uma ingenuidade incrível esse argumento, como se uma mulher decidida a fazer um aborto não encontrasse formas de o levar a cabo. O que a lei actual potencia é tão e somente o aumento dos abortos clandestinos, executados sabe-se lá em que condições e que vão enriquecendo os bolsos de alguns habilidosos sem qualquer tipo de qualificação cientifica para o acto. Votando Não, estaremos simplesmente a deixar as coisas como estão: aumento dos abortos clandestinos com consequências graves para a saúde das mulheres, desaconselhamento, falta de informação e de alternativas, criminalização com todo o peso moral que ela acarreta. O Não venceu o último referendo e temos visto o que as coisas têm mudado!
Votando SIM à pergunta do referendo ninguém vai erradicar o aborto (da mesma forma que não o erradicaríamos votando NÃO) mas vamos pelo menos adquirir algum controlo sobre a situação. Asseguraremos que as mulheres que decidem voluntariamente interromper uma gravidez indesejada não serão perseguidas pela justiça e terão oportunidade de ser esclarecidas e aconselhadas por profissionais competentes sobre o que têm intenção de fazer.
Um cartaz de uma das campanhas pelo Não pergunta qualquer coisa como isto: ‘Os seus impostos para financiar clínicas de aborto?’ ao que eu respondo: antes os meus impostos a salvar vidas de mulheres que decidiram abortar do que outros a ganharem dinheiro com essas mortes.
Para mal, um mal menor. Eu voto SIM.
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domingo, fevereiro 04, 2007
Babel
Ao sair do cinema e apesar do aviso dos críticos relativamente à mensagem política sobre os malefícios da globalização, apresentada por eles como uma visão panfletária e pouco imaginativa por parte do realizador, eu não vi mais para além de uma narrativa que questiona sobretudo a problemática da Comunicação ou da falta dela. Mais do que um choque entre sociedades e culturas intrinsecamente diferentes eu deparei-me com personagens bloqueados em si mesmos, sozinhos, e com imensa dificuldade em fazerem-se comunicar àqueles que lhes são mais próximos apesar de partilharem o mesmo código social e cultural: dois irmãos que não comunicam por disputarem liderança no seio da família, um pai que não sabe como chegar ao coração da filha que se afunda em solidão por não conseguir comunicar os seus impulsos e desejos às pessoas da mesma geração, um casal que procura restabelecer contacto numa viagem exótica, um patrão que não aceita o pedido da empregada para assistir ao casamento do filho, um sobrinho que por medo não escuta a tia… É certo que Babel tem como pano de fundo o choque entre culturas distintas acelerado pelos efeitos da tecnologia e da globalização, mas creio que Iñárritu quer sobretudo fazer-nos reflectir sobre a falta de comunicação a uma escala, digamos, mais doméstica: quando não escutamos e não somos escutados pelo nosso interlocutor mais próximo como poderemos nós compreender alguém com origens e valores completamente distintos dos nossos? Se repararmos no acontecimento que desencadeia toda a narrativa, o disparo contra o autocarro, ele nasce exactamente da falta de comunicação entre os dois irmãos marroquinos que lutam entre si por uma espécie de liderança moral da família e não de um simples ‘entretenimento’ de crianças aborrecidas com o trabalho de levar as ovelhas a pastar para a montanha como nos faz crer Mário Jorge Torres no Público. É a partir desse episódio e das sucessivas falhas de comunicação entre personagens que os acontecimentos atingem a proporção desequilibrada que assistimos ao longo da história, ampliada na mesma medida em que a distância cultural se vai impondo e fazendo sentir.
Durante o filme lembrei-me muitas vezes de ‘O Estrangeiro’ de Camus (ainda de leitura fresca), tudo parece apresentar um grau de casualidade absurda: um impulso momentâneo tem força suficiente para condenar uma vida (no caso do filme, muitas vidas).
‘Babel’ não é um filme excelente, mas também não é a narrativa simplista e demagógica que apregoam. É preciso ler nas entrelinhas.
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Séries: cinema
sublinhado (52)
Então, não sei porquê, qualquer coisa rebentou dentro de mim. Pus-me a gritar em altos berros, insultei-o e disse-lhe para não rezar e que, mesmo que houvesse um inferno, não me importava, pois era melhor ser queimado no fogo do que desaparecer.
Agarrara-o pela gola da sotaina. Atirava para cima dele todo o fundo do meu coração com impulsos de alegria e de cólera. Tinha um ar tão confiante, não tinha? Mas nenhuma das suas certezas valia um cabelo de mulher. Nem sequer tinha a certeza de estar vivo, já que vivia como um morto. Eu parecia ter as mãos vazias. Mas estava certo de mim mesmo, certo de tudo, mais certo do que ele, certo da minha vida e desta morte que se aproximava. Sim, não sabia mais nada do que isto. Mas, ao menos, segurava esta verdade, tanto como esta verdade me segurava a mim. Tinha tido razão, tinha ainda razão, teria sempre razão. Vivera de uma dada maneira e poderia ter vivido de outra dada maneira. Fizera isto e não fizera aquilo. Não fizera uma coisa e fizera outra. E depois? Era como se durante este tempo todo tivesse estado à espera deste minuto... e dessa madrugada em que seria justificado. Nada, nada tinha importância, e eu sabia bem porquê. Também ele sabia porquê. Do fundo do meu futuro, durante toda esta vida absurda que eu levara, subira até mim, através dos anos que ainda não tinham chegado, um sopro obscuro, e esse sopro igualava, na sua passagem, tudo o que me propunha nos anos, não mais reais, em que eu vivia. Que me importava a morte dos outros, o amor de uma mãe, que me importava o seu Deus, as vidas que se escolhem, os destinos que se elegem, já que um só destino podia eleger-me a mim próprio e, comigo, milhares de privilegiados que, diziam como ele, serem meus irmãos? Compreendia, compreendia o que eu queria dizer? Toda a gente era privilegiada. Só havia privilegiados. Também os outros seriam um dia condenados. Também ele seria um dia condenado. Que importava se, acusado de um crime, era executado por não ter chorado no enterro da minha mãe? O cão de Salamano valia tanto como a mulher dele. A mulher-autómato era tão culpada como a parisiense com quem Masson se casara, ou como Maria, que queria que eu me casasse com ela. Que importava que Raimundo fosse meu amigo, ao mesmo título que Celeste, que valia mais do que ele? Que importava que Maria oferecesse hoje a sua boca a um novo Meursault? Compreendia, compreendia ele este condenado? E que, do fundo do meu futuro... Quase atabafava, ao gritar estas coisas. Mas já me arrancavam o padre das mãos, já os guardas me ameaçavam. Foi ele, no entanto, quem os acalmou. Olhou-me uns instantes em silêncio. Tinha os olhos cheios de lágrimas. Voltou-se e foi-se embora.
Sentia-me agora outra vez calmo. Estava estafado e deixei-me cair sobre a cama. Julgo que dormi, pois acordei com estrelas sobre o rosto. Subiam até mim ruídos campesinos. Aromas de noite, de terra e de sol refrescavam-me as têmporas. A paz maravilhosa deste Verão adormecido entrava em mim como uma maré. Neste momento, e no limite da noite, soaram apitos. Anunciavam possivelmente partidas para um mundo que me era para sempre indiferente. Pela primeira vez, há muito tempo, pensei na minha mãe. Julguei ter compreendido porque é que, no fim de uma vida, arranjara um «noivo», porque é que fingira recomeçar. Também lá, em redor desse asilo onde as vidas se apagavam, a noite era como uma treva melancólica. Tão perto da morte, a minha mãe deve ter-se sentido liberta e pronta a tudo reviver. Ninguém, ninguém tinha o direito de chorar sobre ela. Também eu me sinto pronto a tudo reviver. Como se esta grande cólera me tivesse limpo do mal, esvaziado da esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me, pela primeira vez, à terna indiferença do Mundo. Por o sentir tão parecido comigo, tão fraternal, senti que fora feliz e que ainda o era. Para que tudo ficasse consumado, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muito público no dia da minha execução, e que os espectadores me recebessem com gritos de ódio. (págs. 117 e 118)
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Vítor Leal Barros
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Séries: sublinhado
Fogueira de vaidades
Num intervalo de duas semanas, dias 16 e 30 de abril de 1878, Machado de Assis publicou dois artigos sobre Eça de Queirós, na imprensa da corte. Em forma polida e elegante, como lhe era natural, mas com vigor insuspeitado em homem que, tal como o Conselheiro Aires, padecia de “tédio à controvérsia”, desfecha sobre o autor de O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio duas acusações de arremedo literário e outra de inconsistência e puerilidade dramáticas.
O Crime, afirmou Machado, seria imitação de La Faute de l'Abée Mouret, de Zola. E O Primo não passaria de cópia malfeita de Eugénie Grandet, de Balzac. O terceiro erro de Eça, erro “grave, gravíssimo”, teria provindo do uso do acaso para acionar e sustentar o entrecho dramático de O Primo. Estranho que Machado tenha embirrado com essa travessura do destino, ele que pediu ao acaso que pusesse, numa mesma hora de um mesmo dia, num mesmo vagão de trem, a bela Sofia e o arrebatado Rubião. Sem falar em outros providenciais acasos de seus romances e contos, das Primas de Sapucaia às Memórias Póstumas.
Deixemos de lado acasos e inconsistências. Tornemos ao plagiato. As críticas de Machado fizeram furor e devotos. Ainda hoje servem de motivo para especulação maliciosa e julgamentos imprudentes. Eça de Queirós tomou conhecimento dos furores machadianos. Não lhes quis dar importância, porém. Durante dois anos, guardou silêncio, parente próximo do desdém. Fingidamente ou não, pareceu desinteressado de tão miúda polêmica.
Ao lançar a segunda edição do Crime, dois anos depois, tratou de precedê-la de uma nota em que, finalmente, respondia aos críticos. Mais exatamente ao crítico, o bruxo do Cosme Velho, que por essa época ainda não havia sido batizado de maneira tão ternamente lúgubre. Com a ironia de praxe, mas com impaciência e certa ponta de azedume, Eça desabafou:
“Os críticos inteligentes (epa!) que acusaram O Crime do Padre Amaro de ser apenas uma imitação da Faute de l'Abée Mouret não tinham infelizmente lido o romance maravilhoso do Sr. Zola, que foi talvez a origem de toda a sua glória. A semelhança casual (desconfio desse casual) dos dois títulos induziu-os em erro. Com conhecimento dos dois livros, só uma obtusidade córnea ou má-fé cínica poderia assemelhar esta bela alegoria idílica, a que está misturado o patético drama duma alma mística, ao Crime do Padre Amaro que, como podem ver neste novo trabalho, é apenas, no fundo, uma intriga de clérigos e de beatas tramada e murmurada à sombra duma velha Sé de província portuguesa.”
Concordo, incomodado, com a reação de Eça. Quanto ao Crime do Padre Amaro, Machado errou gravemente ao aproximá-lo de La Faute, de Zola. As semelhanças entre os dois livros são poucas, aparentes e enganosas. Tenho hoje a certeza de que são nenhumas, excetuadas certas breves passagens que devem ter marcado fundamente Eça de Queiroz, e que ele na verdade copiou, por não ver nisso nada de mal. Foi resultado de apaixonada admiração. Ou decorrência do contaminatio que deixou Virgílio levar-se pelos ventos da Odisséia ou pelos ecos da Ilíada.
Acho boa razão para explicar as implicâncias de Machado. A de ter sido ele um crítico conservador; pior, moralista. Quem leu a sua pequena obra crítica deve ter chegado logo à conclusão a que cheguei. Toda essa visão conservadora, visão de seguidor de Fichte, está mais sucinta e obviamente resumida num artigo que leva o título de “Notícia da atual literatura brasileira – Instinto de nacionalidade”.
Na parte em que ele trata do romance brasileiro, ao lado de preferência de gosto discutível, compensada por observações de fina sagacidade, há uma espécie de declaração de princípios, em que ressalta uma tomada de posição preconceituosa em relação às novas influências vindas da França: “As tendências morais do romance brasileiro são geralmente boas. Nem todos eles serão, de princípio a fim, irrepreensíveis; alguma coisa haverá que uma crítica poderia apontar e corrigir. Mas o tom geral é bom. Os livros de certa escola francesa (grifo meu), ainda que muito lidos entre nós, não contaminaram a literatura brasileira, nem sinto nela tendências para adotar as suas doutrinas, o que já é de notável mérito”. Machado de Assis recusava-se, com fingida indiferença, a referir-se à escola realista. Tem reação de ofendido pudor.
A relação de Machado com Eça começou por escrito e começou mal. O ciúme levou-os à inveja; a inveja, à impaciência; a impaciência, ao azedume. Com relação ao azedume, restou-me a impressão de que, chegados os dois à velhice, os atritos hajam sido atenuados por obra devota dos amigos. Concluí assim, depois de reler a carta que Machado escreveu a Henrique Chaves, na qual lamentou o fato de a morte suprimir talentos que ainda teriam muito a criar. Como foi o caso de Eça, que Machado definiu como “o melhor da família, o mais esbelto e o mais valido”. E Machado prossegue, ao falar da morte de grandes talentos:
“Onde ela é sem compensação é no ponto da vida em que o engenho subido ao grau sumo, como aquele de Eça de Queirós, – e como o nosso querido Ferreira de Araújo, que ainda ontem fomos levar ao cemitério – tem ainda muito que dar e perfazer. Em plena força da idade, o mal os toma e lhes tira da mão a pena que trabalha e evoca, pinta e canta, faz todos os ofícios da criação espiritual. Por mais esperado que fosse esse óbito, veio como repentino. Domício da Gama, ao transmitir-me há poucos meses um abraço de Eça, já o cria agonizante. Não sei se chegou a tempo de lhe dar o meu. Nem ele, nem Eduardo Prado, seus amigos, terão visto apagar-se de todo aquele rijo e fino espírito, mas um e outro devem contá-lo aos que deste lado falam a mesma língua, admiram os mesmos livros e estimavam o mesmo homem”. Não me lembro, em literatura brasileira, de necrológio mais comovido e verdadeiro. Creio até que sincero.
Manuel Bandeira, no artigo que escreveu para o Livro do Centenário, lembra que no dia 24 de agosto de 1900, dias depois da morte de Eça e de Ferreira de Araújo, a Gazeta de Notícias deu “toda uma página de colaboração em homenagem ao grande romancista: artigos de Araripe Júnior, Machado de Assis, Henrique Neto (...), versos de Osório Duque-Estrada, Luís Guimarães Filho e César Monteiro; ilustrações de Julião Machado (retrato de Eça e algumas figuras do Primo Basílio)”. Concluiu com a seguinte frase: “Machado de Assis dizia, lembrando-se sem dúvida de si próprio e de sua severa crítica ao Primo Basílio: ‘Tal que começou pela estranheza, acabou pela admiração’ ”.
A pena que criticou Eça foi a mesma que dele se despediu com admiração e encanto.
Publicada por
Luciana Melo
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