o mundo é muito pequeno.
terça-feira, abril 24, 2007
segunda-feira, abril 23, 2007
Garrafas ao mar (1)
Porque há coisas que é melhor nem saber.
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Séries: Garrafas ao mar
sexta-feira, abril 20, 2007
Literatura
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Séries: literatura
quarta-feira, abril 18, 2007
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Séries: Post-it
nota do dia (6)
volto ao sul, como quem tem sede de luz... vuelvo al sur, como se vuelve siempre al amor...
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Séries: nota do dia
terça-feira, abril 17, 2007
As matriarcas (8)
- D. Olívia!
- Tiziu!
- A professora já tinha terminado, viu? Não fugi da aula, não senhora.
- Eu não disse absolutamente nada, Tiziu.
- Mas antes que a senhora diga...
- Não estou aqui para vigiar você. Fique calmo. Vim porque combinamos um passeio de bicicleta para mais tarde, mas antes preciso ir a um lugar.
- Que lugar é esse?
- Uma casa que fica no Largo da Esperança.
- No Largo da Esperança? De quem é a casa?
- Foi da minha família: bisavós, avós, minha mãe e agora é minha. Mas ela está fechada há alguns bons anos.
- Não gosto de ir por aquelas bandas, D. Olívia.
- E por quê?
- Porque tem muita alma por lá.
- Como é, menino? Que história é essa?
- Falam que lá tem uma casa assombrada que pertenceu à D. Maria da Anunciação. Em algumas noites, uma dona doida anda pelas ruas do largo, vestida de Maria Madalena...
Minha visão ficou turva e a voz de Tiziu foi sumindo, sumindo até que não ouvi mais nada.
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Séries: As Matriarcas
sexta-feira, abril 13, 2007
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Séries: Post-it
Ainda sobre o narrador...
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Séries: literatura
quinta-feira, abril 12, 2007
quarta-feira, abril 11, 2007
assim, com a mesma impetuosidade desta querida
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Séries: Post-it
nota do dia (3)
todas as acções têm consequências. (apanhado algures no filme do David Lynch)
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Séries: nota do dia
terça-feira, abril 10, 2007
nota do dia (2)
não há estrelas no céu do porto.
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Séries: nota do dia
como um...
Embrulho
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Séries: poemas
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Séries: Post-it
segunda-feira, abril 09, 2007
nota do dia (1)
olho para o visor do telemóvel e a única palavra que aparece escrita é silêncio.
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Séries: nota do dia
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Séries: Post-it
Um (quase) anedotário
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Séries: le cume des jours
domingo, abril 08, 2007
Páscoa
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Séries: Post-it
quarta-feira, abril 04, 2007
imagens que se colam ao peito (19)
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Séries: imagens que se colam ao peito
Na estante (9)
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Séries: Na estante
Radiola (8)
(Chico Buarque)
A dona está demais
A última visita
Quanto tempo faz
Balançam os cabides
Lustres se acenderão
O amor vai pôr os pés
No conjugado coração
Será que o amor se sente em casa
Ou vai sentar no chão
Será que vai deixar cair
A brasa no tapete coração
Quanto aumentar a fita
As línguas vão falar
Que a dona tem visita
E nunca vai casar
Se enroscam persianas
Louças se partirão
O amor está tocando
O suburbano coração
Será que o amor não tem programa
Ou ama com paixão
Mulher virando no sofá
Sofá virando cama coração
O amor já vai embora
Ou perde a condição
Será que não repara
A desarrumação
Que tanta cerimônia
Se a dona já não tem
Vergonha do seu coração
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Séries: Radiola
segunda-feira, abril 02, 2007
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Séries: Post-it
Pasolini
Comecei a ler ‘Uma vida violenta’ de Pier Paolo Pasolini. Não há uma pausa, uma analepse, uma reflexão… nada que eu possa ‘sublinhar’ e partilhar. Por outro lado, a acção corre a um ritmo veloz, imagens e sons sucedem-se de forma estonteante como se fosse um filme, ou não escrevesse ele com mão de cineasta. As mesmas imagens são tão poderosas e estimulam de tal forma a imaginação do leitor que por vezes esquecemo-nos de que não somos habitantes dos subúrbios de Roma… Se eu pudesse partilhar as sensações que Pasolini desperta na minha imaginação este blogue, enquanto durasse a leitura, seria uma coisa muito diferente.
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Séries: literatura
uma palavra faz a diferença
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Séries: Post-it
sexta-feira, março 30, 2007
a história que te conto (5) (último)
fugi de casa para outro lugar.
as paredes não choravam,
não gemiam nem gritavam,
permaneciam em silêncio
desde que dentro do copo
passou a existir uma só escova
de dentes. silêncio apenas…
por vezes mágico, por vezes
ensurdecedor… silêncio
como a última e inestimável
linguagem dos que amam…
a história que te contava
fugiu-me das mãos como
uma profecia, atropelou-me
e pregou-me ao presente sem
aviso. logo a mim… que não
acreditava nos profetas!
rendi-me. aceitei de uma
vez por todas os sinais.
forcei-me à contemplação
das marés místicas que nos
envolvem com mantos tingidos
de mistério: porque talvez os
anjos existam, porque a
provarem-se põe-se a hipótese
de conspirarem a iminência
dos futuros. fugi de casa.
procurei refúgio no monte
que te falei. lá permanecerei
até que o silêncio me doa
infinitamente e o coração
me rebente de amor. fugi
para o eterno lugar, Olimpo,
casa-mãe da existência.
tenho Héstia sentada na
pedra à minha direita.
olha-me como um aprendiz
mas não faço caso…
prometi entregar-me aos
seus ensinamentos de forma
séria e dedicada. como
sacrifício cortei a língua e
entreguei-lha… depois selei
os lábios e permaneço mudo
desde então. ainda pensei
sacrificar o coração mas sei
que não suportaria a prova;
as promessas cumprem-se.
sentado escuto com atenção
a história que ela me conta.
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Séries: a história que te conto
quinta-feira, março 29, 2007
já estive para o dizer muitas vezes...
Concerto for Two Violins in D Minor, Bach
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Séries: Post-it
The rain outside was cold in Hadrian’s soul.
The boy lay dead
On the low couch, on whose denuded whole,
To Hadrian’s eyes, whose sorrow was a dread,
The shadowy light of Death’s eclipse was shed.
The boy lay dead, and the day seemed a night
Outside. The rain fell like a sick affright
Of Nature at her work in killing him.
Memory of what he was gave no delight,
Delight at what he was was dead and dim.
O hands that once had clasped Hadrian’s warm hands,
Whose cold now found them cold!
O hair bound erstwhile with the pressing bands!
O eyes half-diffidently bold!
O bare female male-body such
As a god’s likeness to humanity!
O lips whose opening redness erst could touch
Lust's seats with a live art's variety!
O fingers skilled in things not to be told!
O tongue which, counter-tongued, made the blood bold!
O complete regency of lust throned on
Raged consciousness’s spilled suspension!
These things are things that now must be no more.
The rain is silent, and the Emperor
Sinks by the couch. His grief is like a rage,
For the gods take away the life they give
And spoil the beauty they made live.
He weeps and knows that every future age
Is looking on him out of the to-be;
His love is on a universal stage;
A thousand unborn eyes weep with his misery.
Antinous is dead, is dead for ever,
Is dead for ever and all loves lament.
Venus herself, that was Adonis’ lover,
Seeing him, that newly lived, now dead again,
Lends her old grief’s renewal to be blent
With Hadrian’s pain.
(...)
»Beautiful was my love, yet melancholy.
He had that art, that makes love captive wholly,
Of being slowly sad among lust’s rages.
Now the Nile gave him up, the eternal Nile.
Under his wet locks Death’s blue paleness wages
Now war upon our wishing with sad smile.«
(...)
»This picture of our love will bridge the ages.
It will loom white out of the past and be
Eternal, like a Roman victory,
In every heart the future will give rages
Of not being our love’s contemporary.
»Yet oh that this were needed not, and thou
Wert the red flower perfuming my life,
The garland on the brows of my delight,
The living flame on altars of my soul!
Would all this were a thing thou mightest now
Smile at from under thy death-mocking lids
And wonder that I should so put a strife
Twixt me and gods for thy lost presence bright;
Were there nought in this but my empty dole
And thy awakening smile half to condole
With what my dreaming pain to hope forbids.«
Thus went he, like a lover who is waiting,
From place to place in this dim doubting mind.
Now was his hope a great intention fating
Its wish to being, now felt he he was blind
In some point of his seen wish undefined.
When love meets death we know not what to feel.
When death foils love we know not what to know.
Now did his doubt hope, now did his hope doubt;
Now what his wish dreamed the dream’s sense did flout
And to a sullen emptiness congeal.
Then again the gods fanned love’s darkening glow.
(...)
»But since men see more with the eyes than soul,
Still I in stone shall utter this great dole;
Still, eager that men hunger by thy presence,
I shall to marble carry this regret
That in my heart like a great star is set.
Thus, even in stone, our love shall stand so great
In thy statue of us, like a god’s fate,
Our love’s incarnate and discarnate essence,
That, like a trumpet reaching over seas
And going from continent to continent,
Our love shall speak its joy and woe, death-blent,
Over infinities and eternities.
»And here, memory or statue, we shall stand,
Still the same one, as we were hand in hand
Nor felt each other’s hand for feeling feeling.
Men still will see me when thy sense they take.
The entire gods might pass in the vast wheeling
Of the globed ages. If but for thy sake,
That, being theirs, hadst gone with their gone band,
They would return, as they had slept to wake.
»Then the end of days when Jove were born again
And Ganymede again pour at his feast
Would see our dual soul from death released
And recreated unto joy, fear, pain –
All that love doth contain;
Life – all the beauty that doth make a lust
Of love’s own true love, at the spell amazed;
And, if our very memory wore to dust,
By some gods’ race of the end of ages must
Our dual unity again be raised.«
It rained still. But slow-treading night came in,
Closing the weary eyelids of each sense.
The very consciousness of self and soul
Grew, like a landscape through dim raining, dim.
The Emperor lay still, so still that now
He half forgot where now he lay, or whence
The sorrow that was still salt on his lips.
All had been something very far, a scroll
Rolled up. The things he felt were like the rim
That haloes round the moon when the night weeps.
His head was bowed into his arms, and they
On the low couch, foreign to his sense, lay.
His closed eyes seemed open to him, and seeing
The naked floor, dark, cold, sad and unmeaning.
His hurting breath was all his sense could know.
Out of the falling darkness the wind rose
And fell; a voice swooned in the courts below;
And the Emperor slept.
And the Emperor slept. The gods came now
And bore something away, no sense knows how,
On unseen arms of power and repose.
Fernando Pessoa
excerto de 'Antinous', 1918
"Obras de Fernando Pessoa - Obra poética e em prosa", vol.I
Lello & Irmão - Editores
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Vítor Leal Barros
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Séries: poemas
quarta-feira, março 28, 2007
Confessionário (44)
Assim que terminei de ler teu último confessionário, desliguei o computador, coloquei uma música (A paixão segundo S. Mateus. Bach tem o mágico dom de estimular a minha esperança.) e pus-me a pensar em ti, em mim, na vida, na condição humana... sempre aproveito esses momentos para revisitar meus valores, minhas memórias e experiências.
Eu gostaria de começar nosso diálogo com a reflexão de uma intelectual que eu admiro muitíssimo, Vítor. Trata-se de Hannah Arendt. As origens do totalitarismo é um daqueles livros que colaborou para a liberdade do meu espírito; foi a experiência mais pungente que tive em relação a nossa condição de solidão. Diz ela:
“Solidão não é estar só. Quem está desacompanhado está só, enquanto a solidão se manifesta mais nitidamente na companhia de outras pessoas. À parte algumas observações ocasionais [...] parece que foi Epicteto, o filósofo escravo-forro de origem grega, o primeiro a distinguir entre solidão e ausência de companhia. De certa forma, a sua descoberta foi acidental, uma vez que o seu principal interesse não era uma coisa nem outra, mas o ser só (monos) no sentido de ser absolutamente independente. Na opinião de Epicteto (Dissertationes, livro 3, capítulo 12), o homem solitário (éremos) vê-se rodeado por outros com os quais não pode estabelecer contato e a cuja hostilidade está exposto. O homem só, ao contrário, está desacompanhado e, portanto, “pode estar em companhia de si mesmo”, já que os homens têm a capacidade de “falar consigo mesmos”. Em outras palavras, quando estou só, estou “comigo mesmo”, em companhia do meu próprio eu, e sou, portanto, dois-em-um; enquanto, na solidão, sou realmente apenas um, abandonado por todos os outros. A rigor, todo ato de pensar é feito quando se está a sós, e constitui um diálogo entre eu e eu mesmo; mas esse diálogo dos dois-em-um não perde o contato com o mundo dos meus semelhantes, pois que eles são representados no meu eu, com o qual estabeleço o diálogo do pensamento [...]. Para a confirmação da minha identidade, dependo inteiramente de outras pessoas; e o grande milagre salvador da companhia para os homens solitários é que os “integra” novamente, poupa-os do diálogo do pensamento no qual permanecem sempre equívocos, e restabelece-lhes a identidade que lhes permite falar com a voz única da pessoa impermutável”.
Querido, desculpe o longo quote, mas eu o considero absolutamente essencial para o tema dessa confissão. Em resumo, é isso que o sentimento de solidão causa nas nossas entranhas, meu Vítor: gera dúvidas a respeito do ser que somos. E não é a dúvida questionadora, propulsora, mas aquela que descaracteriza nossa pessoa. “O que torna a solidão tão insuportável é a perda do próprio eu”.
Arendt esta falando objetivamente sobre política, sobre a violência dos regimes totalitários, mas, em última instância, ela também está falando da solidão referente à vida humana como um todo.
Nascemos sós. Morreremos sós. Mas a realização humana se dá quando podemos confiar aos outros nossas experiências sensoriais, sociais e afetivas. O mundo já era antes de nós e continuará a ser depois de nós. Somos supérfluos na sucessão das eras, mas nossa individualidade inscreve-nos na História da Humanidade que é uma história feita por homens no plural.
Meu Vítor, somos homos faber muito antes de nos sabermos criadores. Quando tomamos consciência desse papel, entendemos que é inerente à criação uma ausência momentânea da companhia do outro. No entanto, quando voltamos desse trabalho precisamos desse mesmo outro para confirmar nossas idéias.
O que eu quero dizer com tudo isso, meu querido amigo, é que nossa trajetória é realmente solitária, mas nunca isolada. A simples constatação disso mantém minha fé e otimismo e como tu mesmo dizes, mantém a tua também.
Oito meses após a grande tempestade que solapou minhas estruturas, eu começo a ter um pouco de paz, consigo dormir e sonhar colorido novamente, e já acredito que, apesar de tudo, isto foi o melhor que podia me acontecer.
Lembra quando nos encontramos no ano passado, Vítor? Eu estava destruída, não estava, meu querido? Acho que aquele foi o momento de maior solidão da minha vida, mas ainda assim eu pude sorrir e aproveitar tua estadia aqui. Entendes o que digo? A solidão deixou de ser insuportável quando tu confirmastes minha existência através da afetividade e da partilha em comum. Tudo se acomoda, querido. As ondas sempre voltam a arrebentar na praia.
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Luciana Melo
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Séries: confessionário


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