X. é uma mulher de 40 anos. Saiu de casa duas horas antes de entrar ao trabalho impecavelmente vestida como de resto é seu hábito. Não demora mais do que vinte minutos no trajecto e os colegas fartam-se de perguntar por que raio sai ela de casa tão cedo não tendo filhos para levar à escola e marido a quem dar o nó da gravata… X. esboça um sorriso e diz-lhes ‘quem me tira o prazer de um pequeno-almoço tranquilo na frescura da manhã, tira-me tudo’. Mas hoje bem poderia ter saído de casa quatro ou seis horas antes, visto nenhuma das bombas que tomou para adormecer ter surtido efeito.
X. foi sempre motivo de orgulho para os pais. Nunca lhes causou qualquer embaraço, nem mesmo nas idades em que seria normal fazê-lo. Sempre a melhor aluna da escola, estudiosa e aplicada, filha amiga e companheira, profissional exímia, mulher generosa capaz de tudo pelos amigos, enfim, o desejo de qualquer casal… qualidades que, associadas a uma beleza fina e delicada e a um trato de uma simpatia só, faziam a mãe perguntar-se de onde na família teria sido ressuscitada tal combinação genética. Nunca foi necessário exigir-lhe nada, os seus actos nasciam antes de serem pedidos. Uma filha que nunca deu trabalho.
Sentou-se como sempre na mesa ao lado da janela e agradeceu num bom-dia cúmplice o café e o pão com manteiga que o senhor Y. prontamente preparou assim que viu X. apontar à porta. Enquanto o aroma do café lhe conquistava lentamente a boca o seu olhar perdia-se na luz da manhã. A cidade acordava lentamente. Do outro lado da rua, uma garotinha de 6 ou 7 anos caminhava de mochila às costas em direcção à escola. Deteve-se nela por um instante e uma lágrima de rímel desceu-lhe involuntariamente pelo rosto… murmurou: ‘minha querida, não exijas de ti mais que o coração ou nenhum se deitará contigo por amor’.
quarta-feira, setembro 12, 2007
janelas abertas (5)
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Séries: janelas abertas
segunda-feira, setembro 10, 2007
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Séries: Arquitectura
sábado, setembro 08, 2007
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Séries: fotografia, imagens que se colam ao peito
Confessionário (49)
Esse confessionário talvez fique um bocado confuso, sabe? É que antevejo o festival de fragmentos que vou esboçar para ti, sem, contudo, concluí-los por completo.
Quero começar dizendo que eu amei, simplesmente amei ser despertada por um telefonema teu. Quase pude tocar-te novamente num afetuoso abraço, como aquele abraço que guardo com tanto carinho no dia em que dissemos “até breve”, diante do Hotel.
A sensação fez-me lembrar – e com isso não quero reduzir o assunto, porque ele é demais complexo – que sentimos solidão quando nos isolamos da vida, forçada ou circunstancialmente, mas basta que estabeleçamos os laços para que o mal-estar de ser/estar só evapore. Continuo acreditando que o afeto nos salva de nós mesmos.
Quero que saibas que me sinto mais fortalecida, serena com o restabelecimento da minha sintonia. Lembras das bonequinhas russas, aquelas que foram tema de uma das correspondências entre A. e V., meu querido? Sinto que estou quase chegando à primeira boneca, à minha gênese. É só o primeiro passo, mas tem sido como tocar “os frutos rubros e selvagens” da minha existência. Espero que tudo isso faça um pouco de sentido para ti, porque para mim tem feito uma grande diferença.
Sobre silêncios... não, não ando passeando pela blogosfera, nem lusa nem brasileira. Ando um pouco farta de tudo isso... não sei te explicar, mas é sintomático que preciso de um tempo, de umas férias desse mundo, talvez por isso ando tão pouco presente.. Tenho avaliado a continuidade do Glossolalias e do Sincronicidade, sobre a relevância do que escrevo, penso, reflito... outro dia, eu reli um post teu sobre a importância desse nosso espaço a despeito de tudo que se espera de um blogue: visitas, participação, interação, interesse ou falta de...
Ambos são espaços muito distintos. Um representa uma possibilidade de ser ouvida, de ter e dar voz a uma persona pouco conhecida até pelos que convivem comigo; o outro representa a beleza de uma amizade, a concretização de uma confiança que eu pensava não ter mais lugar no nosso mundo apressado e plastificado. Estou te falando tudo isso para saber o que vai dentro de mim.
Ultimamente só ligo o computador para ver e-mails e fazer minhas pesquisas, nada mais.
Estou há dias para escrever sobre o Drummond, sobre a saudade que sinto desse poeta, da forma simples e direta que tinha de dizer as “verdades” da alma. Há 20 anos perdemos Drummond e era sobre isso que queria falar, mas não consigo verbalizar. Não queria publicar nada “acadêmico”, cheio de maneirismos, queria que fosse tal qual ele uma vez o disse: “um dia cometi a empáfia de dizer: mundo, mundo, vasto mundo, mais vasto é o meu coração”.
Também tive vontade de escrever sobre a Feira do Livro de Brasília. Quer dizer, o desastre que foi a abertura, a maneira amadora e desrespeitosa com que a organização tratou o público e o convidado homenageado Ariano Suassuna. Do barraco que fiz, das reclamações e da cara daquela gente apática e imbecilizada de aceitar ser tratada como lixo. E do absurdo maior que era ler em seus rostos a perturbação, o distúrbio que eu e mais algumas poucas pessoas indignadas estávamos causando.
Eu fiquei cansada só de pensar em argumentar que reclamar era nosso direito, mas aqui, quem exerce seus direitos é visto como chato e encrenqueiro. E eu, meu Vítor, não quero convencer ninguém de nada. Quer ser gado? Boa sorte! Mas não me peçam para juntar-me à manada.
Luciano Pavarotti. Sinto, lamento profundamente pela sua morte. Apesar da “crítica especializada” achar uma ofensa a popularização da ópera, um desperdício de tempo oferecer à gentalha o espetáculo destinado aos eruditos, eu adorava ver aqueles mega-eventos que ele proporcionava. Os “intelectuais” ainda acreditam que a massa não é digna de cultura, pelo menos não a verdadeira cultura ou a verdadeira arte.
Nesse sentido, acho que o texto do Carey – que eu citei naquele paper sobre a Clarice Lispector – extremamente atual, mas isso é conversa longa.
Sobre os livros. Eu não sou lá muito fã de listas, você bem sabe, meu Vítor. Contudo, eu adoro um veneninho, adoro brincar de advogado do diabo e a idéia de remexer no baú de orgulho e vaidade do cânone é uma delícia irrecusável.
Reforço novamente o que disse no meu comentário. Não precisavas te explicar. Não existe muita lógica – não a lógica que a racionalidade nos exige – a respeito do que nos toca ou não a alma. Os afetos estão no campo intuitivo e ponto. Pode ser uma comparação infeliz, mas nós sabemos que existe sexo e existe amor. Quando os dois caminham juntos, putz, é maravilhoso. Penso que o mesmo se dá com os livros. Existe o prazer e existe – vamos chamar – conhecimento. Se ambos vêm no mesmo exemplar, maravilha!
Quando digo que não suporto o Ulisses é porque o acho chato, enfadonho, redundante, cansativo. Antes de concluí-lo (o que eu considero um feito heróico), eu recomecei inúmeras vezes a leitura, e não fluía. E como você, sou incapaz de recordá-lo tamanha exaustão que me provocou. Mas não sou louca de não reconhecer a importância dessa obra para os estudos literários, tanto de crítica quanto de análise. Mas pessoalmente, esse livro é um raro caso que não me proporcionou nem prazer nem conhecimento.
Jorge Amado é considerado um grande escritor. Eu pessoalmente o acho pouco denso e bastante repetitivo. Passei pelos seus livros sem ser tocada, sem sentir mudanças. Sua literatura não alcançou minha memória, não me trouxe identificação ou reconhecimento com seu universo. Acho a Zélia Gattai, sua viúva, muito mais interessante.
O Nelson Rodrigues é outro nome que as pessoas enchem a boca para se referir. A mim, não me causa sequer cócegas. Tem dois textos deles que eu gosto muito. Vestido de Noiva e Toda nudez será castigada, todo o resto eu dispenso completamente. Na minha estante não tem um livro dele ou do Jorge Amado.
Macunaíma é um marco para o movimento modernista no Brasil, mas eu simplesmente não concordo com a abordagem do Mário sobre o estereótipo do brasileiro. Aquilo me incomoda. Diferente do Nelson Rodrigues e do Jorge Amado, essa obra permite um ótimo diálogo, um grande exercício de interpretação, mas não mudou minha vida, não me acrescentou em nada.
A casa dos budas ditosos, do João Ubaldo Ribeiro, foi para mim um total desencanto. É um livro encomendado, comercial e que não convence. A editora juntou grandes nomes para escrever sobre os sete pecados capitais. João Ubaldo ficou com a luxúria e meteu os pés pelas mãos. Criou uma personagem feminina que de feminino só tem o nome e o sexo, mas é de um machismo ridículo. Faltou sensibilidade para enxergar nosso olhar sobre a questão. E como entre erotismo e pornografia existe uma separação tênue... o livro é absolutamente tedioso. Na lista de desespero, esse seria o último item que eu usaria para excitar alguém. Mas para quem escreveu Viva o povo brasileiro, esse pecado já foi perdoado.
Querido, já é tarde. Depois continuamos a conversa.
Beijo imenso,
Tua Lu
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Luciana Melo
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Séries: confessionário
sexta-feira, setembro 07, 2007
nota do dia (22)
a (não) reacção à morte de Luciano Pavarotti por parte da blogosfera lusa é sintomática...
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Vítor Leal Barros
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Séries: nota do dia
confessionário (48)
Minha Lu,
aproveito a graça de uma tarde menos agitada para desenvolver contigo um assunto que tem criado um enorme zum zum nos blogues que leio habitualmente, refiro-me à famigerada corrente dos ‘10 livros que não mudaram as nossas vidas’ iniciada pelo Manuel A. Domingos. Bem sei que o tema se desvia do carácter intimista que atribuímos a esta série, mas tu terás, por certo, a mesma necessidade do que eu de dissecar o imbróglio.
Muita coisa tem sido escrita sobre a dita lista; já lhe chamaram passatempo de ociosos, já perguntaram se um livro possui realmente a capacidade de mudar a vida de alguém, já se publicaram dezenas de listas e respectivas reacções mais ou menos indignadas consoante o maior ou menor grau de belisco às obras tidas como consensuais pelo ‘cânone’, palavra que me custa imenso utilizar. Enfim, não sei se tiveste oportunidade de passear pela blogosfera lusa ultimamente, se o fizeste verás que o que escrevi é apenas um resumo desajeitado de tudo o que foi dito, face à quantidade de opiniões que têm sido divulgadas.
Quando elaborei a minha lista houve dois critérios que estabeleci como primordiais: o primeiro mencionei-o na pequena introdução que fiz e incidia na relação dos livros com a memória; o segundo não foi mais do que uma resposta objectiva à pergunta independentemente daquilo que ainda guardasse da leitura. Por exemplo, a escolha de ‘A Jangada de Pedra’ do Saramago ou de ‘Austerlitz’ de Sebald respondem inteiramente a este segundo critério – são livros que apesar de presentes na minha memória, pura e simplesmente não mudaram a minha vida, ainda que possa achar muito interessante o ensaio de Saramago sobre a ideia de uma Ibéria mais próxima de uma sensibilidade afro-americana do que europeia e de ter criado empatia com o personagem de Sebald cujas incongruências da memória o levam Europa fora à procura de um passado e de uma identidade. Há mesmo em ‘Austerlitz’ algumas passagens que nunca me saíram da cabeça, uma delas é a descrição minuciosa que Sebald (neste caso Austerlitz) faz da nova Biblioteca Nacional de França do Dominique Peurrault, lembro-me de estar na cama e de ter tido um hilariante ataque de riso enquanto lia essas páginas, nenhum crítico de arquitectura o teria feito melhor. O prazer da leitura não é suficiente para que um livro nos mude a vida, para que tal aconteça é necessário que o livro se imiscua no nosso pensamento e se torne uma parte de nós. Isso não me aconteceu com esses dois livros. É preciso que um livro nos proporcione mais do que prazer para que nos transforme a vida. Para aligeirar a coisa, e porque quero desde já dizer-te que faço esta análise do ponto de vista do leitor comum (até porque não tenho conhecimentos académicos para discutir o assunto cientificamente) proponho uma analogia meio despropositada mas que resume num ápice o que estou para aqui a dizer: tive imenso prazer a ver o ‘Shreek’, sim, o filme de animação, mas em nada mudou a minha vida ou a minha forma de pensar a vida, o mesmo não poderei dizer de filmes como ‘Elephant Man’ ou ‘Schindler’s List’ que me fazem reflectir continuamente sobre o que é realmente ser humano, o que é esta treta de ser um homem. Que fique bem claro que não estou a meter o ‘Shreek’ e ‘Austerlitz’ no mesmo saco, não vá a coisa começar a descambar…
Mas continuando com a minha lista e falando agora dos livros que não me deixaram marcas na memória e que constituem a grande parte dos títulos que escolhi. Por exemplo, se me pedisses para te falar sucintamente sobre ‘Nenhum Olhar’ do José Luís Peixoto, de ‘Quartéis de Inverno’ do Osvaldo Soriano, de ‘A Princesa’ do D.H. Lawrence ou de ‘Olhos Azuis, Cabelos Pretos’ da Marguerite Duras, eu, pura e simplesmente, seria incapaz de o fazer. A minha memória apagou-os completamente, ou quase completamente, eu próprio me questiono se realmente os li. O certo é que o fiz e a prova está em algumas linhas sublinhadas com que me deparo ao folheá-los. Fazendo um esforço para te poder dizer algo sobre esses livros, a minha memória não me diz mais do que isto: o livro do Peixoto tem uns personagens insólitos que me fizeram lembrar o Gabriel Garcia Marquez; ‘Quartéis de Inverno’ passa-se durante o período da ditadura militar na Argentina, de ‘A Princesa’ não ficou absolutamente nada e de ‘Olhos azuis, cabelos pretos’ da Duras guardo uma única imagem, uma imagem bela por sinal, mas que não consigo fixar ou relacionar com a acção do romance… é a imagem de um quarto virado para o mar, varrido pela luz de poente, quente e suave, cujos raios quase paralelos à terra acariciam dois corpos que se estendem nus num lençol branco… e há uma janela aberta, uma janela que permite esse cenário, uma janela alta e vertical de caixilho branco em madeira como algumas que encontramos nas casas de estilo colonial no Mindelo ou
Não queria terminar esta conversa sem mencionar os restantes títulos. O que os une? O facto de serem os únicos livros que nunca consegui terminar até hoje; dois por puro aborrecimento (‘A Sibila’ e ‘O Vermelho e o Negro’) e o outro que, por incapacidade minha, falta de inteligência ou de sensibilidade ou de sei lá bem o quê, nunca consegui entrar realmente na lógica por muito que tenha tentado e esforçado, a saber ‘O Inominável’ do Beckett. Ao contrário de todos os outros e furtando-me ao critério que usaste para elaborar a tua lista (os livros que não tens vontade de reler), ‘O Inominável’ de Beckett é um livro ao qual pretendo regressar, acho que houve ali uma incompatibilidade qualquer que ficou por resolver e duvido que tenha sido uma resistência minha, a ver vamos…
Tenciono continuar este diálogo, escrevendo-te sobre os outros livros, os que me acompanham diariamente, explicando-te em que medida mudando-me, eles acabaram por mudar a minha vida.
O teu,
Vítor.
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Séries: confessionário
quarta-feira, setembro 05, 2007
nota do dia (21)
já passaram três meses e a minha soph vai amanhã embora... esta casa vai ficar sem luz.
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Séries: nota do dia
já agora, e porque nunca o fiz no Sincronicidade, os 10 livros mais importantes da minha vida
por ordem de enamoramento:
1. 'As Ondas', Virginia Woolf*
2. 'Alexis', Marguerite Yourcenar*
3. 'Livro do Desassossego', Bernardo Soares (Fernando Pessoa)
4. 'O Estrangeiro', Albert Camus
5. 'Os Passos em Volta', Herberto Helder
5. 'Espera de Deus', Simone Weil
6. 'Elogio da Velhice', Hermann Hesse*
7. 'Sinais de Fogo', Jorge de Sena
8. 'Em Busca do Tempo Perdido' (7 vols.), Marcel Proust
9. 'Quarteto de Alexandria' (4 vols.), Lawrence Durrell
10. 'Se Isto é um Homem', Primo Levi*
11. 'Se Numa Noite de Inverno um Viajante', Italo Calvino*
12. 'As Horas', Michael Cunningham
13. 'A Paixão Segundo G.H.', Clarice Lispector*
14. 'Sob o Olhar de Medeia', Fiama Hasse Pais Brandão
*destes autores escolho apenas o livro que mais me marcou do conjunto das suas obras... caso contrário a lista passaria para vinte títulos e uma batota não chegaria...
passo a palavra aos mesmos amigos dos 10 menos.
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Séries: literatura
terça-feira, setembro 04, 2007
Ai que adoro falar mal da vida alheia... hahaha
Queridão, isso podia virar uma série chamada "Veneninho literário". Hahaha!
And the Oscar goes to:
1. O chatíssimo Ulisses, James Joyce;
2. Dona Flor e seus dois maridos, Jorge Amado*;
3. A dama do lotação, Nelson Rodrigues;
4. Macunaíma, Mário de Andrade;
5. As geórgicas, Claude Simon;
6. Um céu de estrelas, Fernando Bonassi;
7. Eurico, o presbítero, Alexandre Herculano;
8. A casa dos budas ditosos, João Ubaldo Ribeiro;
9. O apanhador no campo de centeio, J.D. Salinger.
* - Para mim, só se salvam do Jorge Amado, Capitães de Areia e A morte e a morte de Quincas Berro D’água.
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Séries: literatura
segunda-feira, setembro 03, 2007
10 Livros que Não Mudaram a Minha Vida
(nesta lista incluo apenas ficção)
1. 'A Sibila', Agustina Bessa-Luís
2. 'O Inominável', Samuel Beckett
3. 'Nenhum Olhar', José Luís Peixoto
4. 'O Vermelho e o Negro' (2 vols.), Stendhal
5. 'A Jangada de Pedra', José Saramago
6. 'Quartéis de Inverno', Osvaldo Soriano
7. 'Austerlitz', W.G. Sebald
8. 'A Princesa', D.H. Lawrence
9. 'Olhos Azuis, Cabelo Preto', Marguerite Duras
10. 'Paris é uma Festa', Ernest Hemingway
Lu, fico à espera da tua lista... estou curioso em relação às escolhas do Carlos, do António Ferro, da Fátima e da Sandra Costa.
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Séries: literatura
quinta-feira, agosto 30, 2007
nota do dia (20)
passamos a vida a subestimar os outros. ninguém sabe o que vai dentro da cabeça de cada um...
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Séries: nota do dia
quarta-feira, agosto 29, 2007
imagens que se colam ao peito (25)
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Séries: imagens que se colam ao peito
terça-feira, agosto 28, 2007
janelas abertas (4)
L. é um homem de 55 anos. Há quinze anos que está reformado por invalidez psicológica, a família preferiu assim. Nunca casou e desde a morte dos pais passou a viver na casa do irmão mais velho que lhe arranjou um biscate onde se vai entretendo e juntando mais uns tostões à magra reforma que recebe do estado.
L. quase não fala. Até um ‘bom dia’ é coisa difícil de se lhe arrancar dos lábios. Não se sabe ao certo se vive de acordo com a sua vontade; nunca abriu a boca para dizer o que queria assim como nunca se queixou do destino que a família lhe escolheu. Vive hermeticamente dobrado sobre si próprio e os seus olhos negros terrivelmente brilhantes e irrequietos como o voar de uma mosca parecem ganhar alguma tranquilidade apenas quando o vemos regressar das longas caminhadas que faz todos os dias.
Na família não há memória de alguma vez L. ter tido amigas ou amantes. Pelos trinta e poucos, as irmãs, substituíram-se à sua extrema timidez e fizeram-lhe um arranjinho com a solteirona lá do bairro. Era vê-los todos os domingos sentados no banco de pedra em frente ao café, ele sem abrir a boca debruçado sobre os joelhos e ela tagarelando a tarde inteira fazendo as perguntas e respondendo por ele. Mas nem a anafada da J. resistiu a tanta apatia e continua até hoje sozinha à espera de arranjar marido. Anos mais tarde, o primo M., que tem fama de gabiru, pegou nele e levou-o às putas, mas L. nem uma nem duas, voltou de lá sem saber o que a coisa era.
A família de L. há muito tempo que não questiona a sua estranha existência. Dão-lhe cama e roupa lavada e lá deixam o homem viver à sua maneira. Das longas e misteriosas caminhadas adivinham apenas que regressa feliz.
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Séries: janelas abertas
sábado, agosto 25, 2007
estou parvo... soube agora mesmo da morte do Eduardo Prado Coelho e é coisa que não me entra... que me parece absolutamente irreal.
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Séries: in memoriam, Post-it
Lembrando Clarice
I - A OBRA COSTURADA POR FORA (OU A CICATRIZ DO MUNDO).
O conjunto da obra da escritora Clarice Lispector sempre foi muito criticado por apresentar estórias e personagens etéreos e esfumaçados, com pouca clareza e difícil apreensão. A autora foi rotulada de intimista e pouco comprometida com questões sociais, ou dizendo de uma outra forma, Clarice era uma escritora não engajada.
Dessa forma, então, Clarice Lispector se lançou ao desafio de responder à crítica, ou pelo menos tentar. Quis provar que sabia (mas, por opção, não desejava) fazer diferente.
A resposta para tal embate se concretizou em A hora da estrela, essa obra avassaladora: contundente e explícita e ao mesmo tempo fluida e velada. Ponto para a crítica, ponto para Clarice.
Como A hora da Eetrela é uma obra grávida de idéias e de elementos para reflexão e análise, pode-se constatar inúmeros aspectos por ela abordados: o papel do intelectual na sociedade; a indigência do povo brasileiro representado na figura de Macabéa; a reflexão sobre a condição da mulher; a discussão sobre o exercício da linguagem/fala como forma de legitimar o discurso competente bem como da apropriação do ato de escrever e de dar/ter voz.
Ler tal obra é ser, de alguma forma, violentamente lançado nesse universo inquietante e questionador, diria mesmo que é impossível não se sentir tentado a tecer comentários sobre esses temas. Ao nos depararmos com tal quadro, desponta uma necessidade urgente, uma quase obrigação de elaborarmos algumas respostas nem que seja para nós mesmos, para não sentirmos o incômodo de parecer, em absoluto, com a personagem. Surge uma vontade de agir, como se pudéssemos gritar (e sermos ouvidos!) em bom e alto som: Reage Macabéa! Fala alguma coisa!
Mas é claro que não é tão fácil assim!!
Ter a consciência do poder da palavra é viver em suspense, porque essa consciência nos diz a todo o momento que ela é fonte de liberdade tanto quanto o é de opressão. Todo aquele que domina o instrumental técnico da linguagem e com ele constrói representações acerca do mundo, faz parte de uma pequena elite que ocupa espaço privilegiado na sociedade, posicionando-se como agente transformador do discurso, decidindo o que deve ser dito bem como seu lugar na escala de importância e competência.
Dessa forma, aquele que tem voz usufrui a liberdade de construir os símbolos e celebrar seus valores. Por outro lado, o fato se de fazer parte do grupo que domina o discurso, necessariamente confirma o seu oposto: a existência dos excluídos, dos marginais, dos impossibilitados de se fazerem representar. Os detentores do discurso “legítimo” estão sempre lembrando a esses outros de que não possuem nem espaço nem voz, logo estão condenados a não compartilhar e celebrar o código dessa minoria. De alguma forma usurpam e aviltam o ser, retirando-lhe a voz e o direito de participar efetivamente dos ritos sociais.
Levando em consideração o texto de J. Carey[1] sobre o papel dos intelectuais na sociedade, é possível observar o estreito diálogo que estabelece com o livro em questão.
Carey nos fala da resistência dos intelectuais em aceitar a presença da massa quer como consumidora de informação, formadora de uma opinião ou (pior!) produtora da cultura formal.
É possível traçar um paralelo entre a posição reivindicada pelos intelectuais representantes do movimento modernista europeu citado no texto de John Carey com os filósofos da Antigüidade, os intelectuais se assemelhariam aos escolhidos, os seres superiores que regeriam a sociedade bem ao modelo desenvolvido por Platão, n’A República[2], para dividir a sociedade grega em grupos segundo a função social que viriam a desempenhar. É a conhecida lei dos três estágios da alma.
As Almas de Bronze formavam os exércitos por estarem mais ligadas às aptidões físicas; as Almas de Prata compunham o setor mercantil e artesanal, provendo os bens necessários para a subsistência; e por fim as Almas de Ouro - aquelas poucas que ocupariam cargos públicos estratégicos ou então formariam a casta dos filósofos, “os escolhidos” pelo seu aprimorado intelecto e aptidão de trabalhar com a palavra, ou dizendo de outro modo, as Almas de Ouro eram as detentoras do discurso dominante, logo, da representação.
As Almas de Bronze morriam como tal, e assim por diante, não havendo a possibilidade de ‘invasão’ na competência dos outros e, mais importante, não ameaçando o status do sábio e propagador da cultura formal.
Carey vai mostrando, ao longo do seu texto, o comportamento desses intelectuais (não tão distante do modelo idealizado por Platão) diante da crescente transformação social: crescimento demográfico, o advento da imprensa escrita, a política de alfabetização, etc. Vendo-se impossibilitados de brecar o processo histórico, criaram um mecanismo poderoso, desenvolveram um código de escrita bastante elaborado como forma de excluir a massa e continuar lhe negando direito à voz, permitindo que a elite intelectual permanecesse dominando o discurso.
Ora, não é essa a estória da nossa heroína trágica, de Macabéa?
Hoje, já é possível aceitar o fato (ou a desculpa) de que a indigência seja pelo menos representada na literatura, mas também é sintomático que num plano de análise (que chamarei de material) essa indigência seja ironicamente representada por uma personagem como Macabéa, tão frágil, de "corpo cariado" e sem voz ou pelo menos inconsciente da sua existência.
Por mais vida, por mais sentimentos profundos e complexos que Clarice tenha dotado sua obra e sua Macabéa – mulher, feia, nordestina, semi-alfabetizada –, sua percepção e apreensão só é possível por um leitor com características opostas às da personagem. (Que contradição! Um livro escrito sobre a massa, mais especificamente sobre o povo brasileiro, “só pode ser lido [3]” pela mesma elite que dela fala!).
Se Clarice já é inerentemente uma escritora de difícil leitura e compreensão, em A hora da estrela, o universo humano ficou ainda mais particularizado, ou seja, voltado para uma elite detentora de bens simbólicos refinados o suficiente para adentrar em tão densas questões. Falando mais claramente: a massa está presente na obra com todas as implicações e ambigüidades possíveis. Mais do que isso, a massa, protagonizada por Macabéa, é elemento primordial no livro, contudo ela não tem acesso a ele e, mais importante, não foi escrito por alguém que a represente.
Recuperando o ponto onde disse haver distintos planos de análise da obra, um que chamo material e um outro de existencial, quero desde já esclarecer que são duas faces de uma mesma moeda. Esses planos formam uma díade inseparável, mas para efeito de visualização e entendimento, creio ser legítimo fazer esse recorte.
À primeira vista, é possível apontar um plano material de análise. Diria que é aquele explicitado pelo narrador-personagem, aquele que salta aos olhos, tamanha a crueza com que delineia as características de Macabéa: ela é feia, frágil, vaga, vazia, desinteressante, sem voz e “incompetente para a vida”. Não tem opinião, vive exposta ao que o acaso lhe revela e o que revela é inconteste.
A começar pelo próprio nome. MACABÉA comporta todas as implicações da ambigüidade e do paradoxo dos planos de análise. Macabéa é o feminino de macabeu. Macabeus[4] é também um livro (subdividido em duas partes) do Antigo Testamento que conta a estória do cativeiro e libertação dos judeus depois do domínio de Alexandre Magno da Macedônia. Após uma fase de gozo de liberdade religiosa, os hebreus caíram sob o jugo dos reis da Síria. Antíoco IV acentuou a luta contra os judeus quando impôs aos mesmos o helenismo como prática religiosa e punindo com pena de morte a prática da religião judaica. Alguns judeus preferiam a morte ao abandono da sua fé. Posteriormente, num movimento de resistência, foram chefiados primeiro pelo sacerdote Matatias e depois pelos macabeus: Judas, Jônatas e Simão.
Assim como os macabeus foram obrigados a se submeter a uma imposição tirana, cerceadora da liberdade religiosa, também a nossa heroína se viu obrigada a sobreviver num mundo opressor que limita sua própria liberdade de existir.
E o que tudo isso quer dizer? Macabéa traz em si mesma o germe da contradição: encontra-se encarcerada pela sua própria inadaptação à sociedade de valores capitalistas (plano material) ao mesmo tempo em que tudo explicitamente negativo que possui representa a liberdade plena do mundo a ser vivido (plano existencial).
O corpo, a fragilidade da heroína sem voz é o cativeiro que a aprisiona, gritando muito alto para o mundo que ela é incapaz de reproduzir o sistema no qual está imersa. Em tal mundo ela não se encaixa, tanto que no fim ela morre (talvez como aqueles macabeus que preferiam a espada a negar suas crenças). A sociedade alardeia: Macabéa, não existe lugar para você nesse mundo! Em contrapartida, sua liberdade, sua redenção se localiza num outro plano: o da afetividade. A sua incompetência para viver (os valores pequeno-burgueses) é refletida na sua incompetência para enganar, ambicionar ou ferir o outro. Apesar de ser (aparentemente) vazia e estúpida, Macabéa, à la Sartre, dialoga exaustivamente consigo mesma, se confronta, questiona a si e a tudo o tempo todo quando duvida das coisas. E se há algo que a ‘velha Maca’ possui são dúvidas: não tem certeza de quem é, do que faz, da dor e do amor que sente.
Será coincidência que a construção dessa personagem apática abrigue em si mesma a desgraça e a força do poder de resistência de um povo?
II - A OBRA COSTURADA POR DENTRO (OU A OBRA POR ELA MESMA).
Notemos que as interpretações e correspondências estabelecidas entre a obra e a lógica do tempo e do espaço do mundo ‘real’ (contemporaneidade), podem também ser feitas nos limites do próprio livro que nesse sentido é atemporal, porque levanta questões de ordem internas (diálogo de si sobre si mesmo), como as questões de estética, de estilo, de linguagem e da própria relevância da obra como tal.
Por exemplo, impossível deixar de perceber o diálogo e os paralelismos que se estabelecem entre Clarice Lispector e Machado de Assis, no que diz respeito ao estilo.
O primeiro ponto que salta aos olhos é a questão da onisciência/onipresença do autor/narrador/personagem com os narradores de Machado. Rodrigo S.M. possui a virulência e a sutileza nas/das palavras e reflexões sobre o destino da personagem. Assim como os narradores de Machado, ele não se restringe a narrar fatos. Na verdade, ele está tão entrelaçado na vida da heroína que por vezes fica difícil reconhecer de quem são os sentimentos e impressões do mundo e das coisas. Na instância humana do romance, ele conhece tão bem sua personagem que chegam a se confundir, são antípodas de uma mesma relação.
Ao mesmo tempo, (numa outra instância que reconhecemos enquanto exercício da linguagem) demarca o abismo que se estende entre os dois. Ele é o detentor da fala, do discurso. Várias vezes se gaba do estilo metalingüístico e do domínio do seu instrumento de trabalho – a palavra!
Um segundo ponto é a prevalência da análise psicológica (rica nas obras de Machado) que ganha grande destaque como questionadora do ser humano e do seu papel social, da relação metafísica entre o Deus criador e a Existência tal como se apresenta: o intelectual tem esse caráter divino de criar vida, inventar um mundo próprio, agindo como um Deus no seu Universo literário. Essas inquietações são sentidas através de Clarice, Deus-mor da obra; de Rodrigo, “co-criador” de Macabéa e de sua condição (melhor seria dizer sua não-condição); e da própria Macabéa, que é incapaz de inventar um mundo próprio porque desconhece que possa fazê-lo.
O terceiro ponto é o jogo que a autora faz com o conto “A cartomante[5]”, usando exatamente os mesmos elementos contidos neste, ou seja, apresentando uma saída externa à personagem e sua trajetória frente à impossibilidade deles próprios darem uma resposta a suas angústias.
Macabéa não tem alternativas no espaço no qual está imersa e, quando surge a oportunidade de reação, ela é falseada porque não é uma ação provocada pela consciência da sua situação no mundo, qualquer que seja o plano de análise, mas induzida por uma ação salvacionista externa e superior que está além da realidade vivida.
Não podemos esquecer as pitadas de ironia com que a autora dá cor ao quadro e faz as ligações entre as duas realidades: a da ficção e da não-ficção. Clarice ‘brinca’ metafórica e simultaneamente, com os valores do universo literário e os da sociedade capitalista de consumo.
A saída apontada pela cartomante de Clarice está no encontro de um amor específico e preconceituosamente estereotipado, aceito como modelo de sucesso dentro da sociedade. A salvação de Macabéa se dá pela mão de um belo homem louro, rico e estrangeiro. Sintomático que nossa heroína seja pobre, esteticamente desinteressante e nordestina e que sua ascensão social (material) e humana (existencial) só possa se concretizar à margem do processo de tomada de consciência, da SUA consciência. Mais uma vez é marcada a incompetência de Macabéa para superar suas debilidades por ela mesma.
No fim, vence o sistema de valores capitalistas. Não há qualquer redenção para ela. Ao mesmo tempo em que seu autor/escritor (Rodrigo/Clarice) se embriaga e se confunde na existência de Macabéa, dela se diferencia enquanto ator, agente da transformação social (ele é o intelectual) quando - apesar de toda a coincidência do oco de suas vidas - ele continua a existir e tendo lugar no mundo, continua sendo aceito, continua comendo morangos. . .
[1] CAREY, J. “A rebelião das massas” in Os Intelectuais e as Massas – orgulho e preconceito entre a intelligentsia literária, 1880-1939. São Paulo: Ars Poetica, 1993.
[2] É preciso deixar claro que o princípio de seleção das almas obedece ao critério de igualdade de oportunidades. Todos os cidadãos receberiam uma mesma orientação até o teste. Os reprovados nessa primeira etapa, consequentemente paravam de receber qualquer instrução, constituindo o exército - as almas de bronze. Os aprovados prosseguiam nos estudos até o novo teste. Os reprovados formariam um segundo estamento social e os aprovados recebiam como prêmio a especialização nos estudos, logo, constituindo a elite do saber, as almas de ouro.
[3] Cabe aqui uma ressalva: quando digo que este livro só “pode ser lido por uma...” não está aqui contido qualquer espécie de preconceito. É claro que não existe um público apto para ler especificamente Clarice, João Cabral, Machado ou qualquer outro escritor. A diferença que estabeleço é de que há algumas especificidades concretas exigidas para esta leitura da obra que certamente a massa destituída de voz não consegue alcançar, pois – parafraseando Bourdieu – não tem a apropriação dos instrumentos de capital simbólico ou está fora deste determinado campo científico. Ou ainda em outras palavras, os representantes da massa não podem ser seus próprios críticos, pois não alcançam os códigos do campo literário. E isso nada tem a ver com a sensibilidade de cada leitor em relação a uma obra ou autor.
Ver BOURDIEU, P. “A produção e a reprodução da língua legítima” in A Economia das Trocas Lingüísticas. São Paulo: Edusp, 1996 e “O campo científico” in A Economia das Trocas Simbólicas.
[4] “I e II Livro dos Macabeus” in Bíblia Sagrada. Ed. Paulinas. p.1110-74.
[5] Machado de Assis. “A Cartomante” in Contos. Ed. Ática.
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Séries: resenha literária
sexta-feira, agosto 24, 2007
imagens que se colam ao peito (24)
sem título, serigrafia, Noronha da Costa
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Séries: imagens que se colam ao peito
Viver
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Séries: Post-it
terça-feira, agosto 21, 2007
nota do dia (19)
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Séries: nota do dia
quinta-feira, agosto 09, 2007
O diário de G.H (9)
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Séries: O diário de G.H
segunda-feira, agosto 06, 2007
nota do dia (18)
ontem foi um dia perfeito.
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Séries: nota do dia
terça-feira, julho 31, 2007
nota do dia (17)
primeiro Bergman, depois Antonioni... (será que por lá eles se chamam uns aos outros?)
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Séries: nota do dia
Porque os morangos serão sempre silvestres
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Séries: in memoriam
domingo, julho 29, 2007
Uma dose de ópio, por favor. On the rocks!
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Séries: info
terça-feira, julho 24, 2007
nota do dia (16)
obrigado amiga pelo cartão. foi o mais bonito que recebi até hoje. sabes que estou sempre contigo.
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Séries: nota do dia
quarta-feira, julho 18, 2007
Radiola (9)
Devido aos últimos acontecimentos (escândalos, corrupção, crise ética, desvio de dinheiro, violência, ...) na terrinha, senti vontade de ouvir essa "musiquinha". Quem sabe assim eu me recorde que apesar de tudo ainda é bom ser brasileira.
Hino Nacional do Brasil
(Joaquim Osório Duque Estrada - Francisco Manuel da Silva)
I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança a terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida",
“Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça à clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!
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Séries: Radiola
nota do dia (15)
não sinto necessidade de outra forma de publicação que não esta.
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Séries: nota do dia
terça-feira, julho 17, 2007
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Séries: Post-it
quinta-feira, julho 12, 2007
Confessionário (47)
Nem me recordo a última vez que escrevi tranquilamente como agora, sentada diante a mesa com minha caneta e bloco de anotações, completamente consciente e envolvida com o ato de comunicar algo. Ultimamente era ligar o computador e escrever direto na tela, coisa que abomino. Para mim, as palavras só fazem sentido quando as rabisco. I know, I’m oldfashioned.
Além disso, estive adoentada. Estou fazendo uma série de exames, mas acho que até o final de julho termino o tratamento. Sobrei isso depois te escrevo.
Sobre Lavoisier, parece que pelas bandas de cá do Atlântico as coisas transformam-se da pior maneira possível... numa música da Rita Lee (que o meu João adora, por motivos óbvios) , tem um refrãozinho que diz assim: “tudo vira bosta”. No Brasil, os donos do poder, os reis da corrupção têm o dom de Midas às avessas: tudo o que eles tocam, salvo raríssimas exceções, vira merda. Lavoisier aqui mostra seu lado putrefato, os cadáveres, em breve, transformar-se-ão em vermes. Tomara que pelo menos nessa forma, eles tenham alguma utilidade; que sirvam, ao menos, de adubo de boa qualidade.
Tirando o caos político (será que sobra alguma coisa?), minha vida nunca foi tão monotemática. Estudo para concursos, faço uma revisão aqui, outra acolá; presto serviços a uma pequena produtora de vídeo e para um instituto de pesquisa da Universidade de Brasília. Nas horas vagas, quando vagam, aperfeiçôo meus conhecimentos culinários. Quem sabe não abro um bistrô, hã?
Ontem, eu vi Sobre meninos e lobos, do Clint Eastwood. Filme bacana, meu amigo. Existe uma leitura à la Taine de que alguns aspectos de nossas vidas são determinados (e determinantes!) por experiências marcantes. Elas aderem à nossa pele e tornam-se as digitais da nossa alma. Acho que aí está contida a idéia acerca de uma das garrafas que lancei ao mar: não existem mais borboletas a bater asas. Há coisas definitivas, meu Vítor, e esta é uma delas. Terei que aprender esta emoção de outra maneira. Quem sabe não possa ouvir o som das asas de um beija-flor?
Sabe, tenho sentido tanta falta da Clarice Lispector. Sinto que ela me chama em som absolutamente audível. Eu digo que ela me espere, que tenha paciência e uma boa dose de compaixão par com meus neurônios, mas o chamado está cada vez mais freqüente.
Ah, deixa-me dizer-te de novo que estou exultante em vê-lo às voltas com A.G. Reler o De gênese tem sido um exercício gratificante... e no principio era o medo. Ah, Vítor, sempre o mesmo medo.
Tomei uma decisão e pretendo colocá-la em prática até o fim do ano, no mais tardar. Resolvi olhar o medo nos olhos e enfrentá-lo. Acredito que essa seja a única maneira de me libertar de uma vez por todas dos meus fantasmas do passado.
Esqueci de mencionar que no mês passado ganhei o 2° lugar num concurso literário que participei na categoria poesia. Foi uma alegria incrível, uma sensação de ser ouvida e entendida. Sentir que o que escrevo desperta algum interesse é algo reconfortante.
Ando um pouco farta da falta da polifonia, da incomunicabilidade. Não percebo interesse no debate das idéias, na troca de conhecimento. O mundo anda preocupado com outras questões. Não me agrada o fato de produzir vitrines tão somente, mas isso é assunto para outra conversa.
Desculpe se o confessionário de hoje mais parece uma carta, mas ando saudosa de uma boa correspondência, como se diz por aqui, de uma boa prosa.
Desculpe também meus longos intervalos. Sei bem que não me cobrar nada nem me fazes pressão, mas sinto-me em débito.
Querido, a noite já vai alta e preciso dormir.
Beijos,
Tua Lu.
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Séries: confessionário
imagens que se colam ao peito (23)
O teatro da repetição opõe-se ao teatro da representação, como o movimento se opõe ao conceito e à representação que o relaciona com o conceito. No teatro da repetição experimentamos forças puras, traçados dinâmicos no espaço que, sem intermediário, agem sobre o espírito, unindo-o directamente à natureza e à história; uma linguagem que fala antes das palavras, gestos que se elaboram antes dos corpos organizados, máscaras antes das faces, espectros e fantasmas antes das personagens - todo o aparelho da repetição como «potência terrível».
Différence et Répétition, Gilles Deleuze
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Séries: imagens que se colam ao peito
sublinhado (67)
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Vítor Leal Barros
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Séries: sublinhado







