terça-feira, julho 29, 2008

As matriarcas (10)

A cidade inteira quedou-se paralisada, muda, ao se deparar com tia Margarida “seminua”, valsando ao som das gotas espessas de chuva que estouravam no chão do quintal.
Somente as crianças – que não compreendiam bem o que de fato acontecia – romperam o silêncio daqueles rostos estáticos, quando resolveram se juntar ao bailado de tia Margarida. Aproveitaram seu desvario como desculpa para tomar banho de chuva, fazer algazarra e brincar de ciranda em torno de uma tia Margarida em êxtase.
Ninguém as impediu. Creio mesmo que nem notaram a presença delas, tamanha estupefação. Pareciam hipnotizados, em transe coletivo, num misto de horror e incredulidade diante da cena. Nenhum suspiro, nenhum “oh!” nem menear de cabeças. O único gesto (mecânico) que notei foi o de Pe. Miguel se benzendo com o sinal da cruz como se testemunhasse uma possessão, mas minha memória me dizia que a interpretação da criança que fui era outra. Naquele dia achei que Pe. Miguel abençoava tia Margarida, livrando-a de toda mácula, pecado ou doença, tal como Jesus fizera com Maria Madalena. Pensei que ali, naquele momento, ao ver tia Margarida rodopiar e sorrir, presenciara um milagre.
Eu mal sabia que era o começo do fim.
Tia Margarida deu um berro e desmaiou. Corri em sua direção ao mesmo tempo em que procurei mamãe com os olhos, mas ela amparava nos braços uma vovó Totonha desfalecida.

segunda-feira, julho 28, 2008

Confessionário (52)

Meu Vítor,
Não conheço ninguém melhor para responder-te do que Drummond. Então, aproprio-me das palavras desse moço de Itabira.

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade. "Ausência" in Alguma Poesia.

I

entra pela mesma porta

pousa a cabeça na soleira de granito
e espera que o sonho chegue

há um degrau sobre o corpo
e um farol no horizonte

nas mãos crescem-lhe estátuas
de homens que nunca viu
músculos assimétricos
cabelos violentos

há um anjo vermelho
que tece uma manta de celofane

e há um outro
que embrulha um coração

terça-feira, julho 22, 2008

a estrada

há músicas que fazem parte da nossa vida. guardam momentos, pontuam situações que escrevem o livro das memórias. ao ouvi-las vamos criando o nosso filme. cena após cena, assistimos à construção daquilo que somos e deixamos uma porta aberta para o que poderemos ser... pelo menos é o que acontece nos bons filmes. esta música acompanha-me repetidamente, ciclicamente. mostra-me a estrada que percorri e dá-me a paz que necessito para continuar o caminho. ficará aqui até ao dia em que eu saiba que direcção seguir.


quarta-feira, junho 25, 2008

Confessionário (51)

Sabes que não há ausência, Lu, porque no coração tudo vive com a mesma intensidade. Quero voltar, ainda não sei como. Desisti de lutar contra o tempo. Um beijo.

segunda-feira, junho 09, 2008

Festa Literária de Paraty



Bem-vindo à FLIP 2008
2 a 6 de julho



Programação
A partir de hoje a programação completa da Festa Literária Internacional de Paraty, com biografias dos autores convidados e resumo das mesas está disponível no site da FLIP. São 41 autores convidados vindos da América do Norte, da Europa, da África e de vários países da América do Sul, além dos 22 autores nacionais.

Homenagem a Machado
Abrindo a FLIP, Roberto Schwarz, um dos mais destacados intérpretes da obra de Machado, discutirá o livro Dom Casmurro, por ele considerado o "romance possivelmente mais refinado e composto da literatura brasileira". Em outra mesa, "Papéis Avulsos", Flora Süssekind, Luiz Fernando Carvalho e Sergio Paulo Rouanet falam sobre suas diferentes experiências com a obra machadiana.
A homenagem a Machado se estende também pela programação do FLIP ETC. com adaptações da obra do autor para o cinema, teatro, e uma exposição sobre o Rio de Janeiro do fim do século XIX.

Show de Abertura
Luiz Melodia é o convidado desta sexta edição para o show de abertura, que acontecerá na quarta-feira, dia 2/7.

Ingressos
Os ingressos estarão à venda a partir do dia 10/6. A compra pode ser feita pela internet, por telefone, ou em pontos de venda de Ingresso Rápido.
• Tenda dos Autores (mesas e conferência de abertura): R$ 25 cada
• Show de abertura na Tenda do Telão: R$ 25
• Tenda do Telão (transmissão das mesas e da conferência de abertura): R$ 8


Patronos
Estão abertas as inscrições para Patronos e Amigos FLIP. Para cada categoria há uma série de benefícios.
Conheça detalhes acessando o site da FLIP.

quarta-feira, maio 28, 2008

Radiola (11)

Recentemente conheci este grupo e me apaixonei.



All The World - Fauxliage

I´ll break you down
I´ll take you down down
Fill you with sadness
Make your life madness

CHORUS
I am having the hard time
I am making you do the hard time too
I am stuck in a bad way
And I'm gonna make you pay for it

Give me a mile
I´ll take a hundred miles
Such a mistake
Sorry, you made

CHORUS

I know you´re here
I know you´re gone
I never asked you to stay
I am waking up, baby
Now tell me
Are you ok

terça-feira, maio 20, 2008

Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou. Uma réstia de parte do sol, um campo próximo, um bocado de sossego com um bocado de pão, não me pesar muito o conhecer que existo, e não exigir nada dos outros nem exigirem eles nada de mim. Isto mesmo me foi negado, como quem nega a esmola não por falta de boa alma, mas para não ter que desabotoar o casaco.


PESSOA, Fernando. O livro do desassossego. Cia. das Letras, 2006.

segunda-feira, maio 12, 2008

Quotes

Eu sou suspeita para falar de Umberto Eco.
Simplesmente adoro a maneira como escreve; sou apaixonada pelo seu trabalho como crítico; acho seus textos teóricos muito leves e sem aquela carga academicista; aprecio a sua "frouxidão", sua largueza italiana e principalmente, admiro sua capacidade de interpretar o mundo.
O Caderno Mais da Folha de São Paulo publicou a matéria intitulada "Professor Aloprado". Por ser extensa, compartilho com vocês as partes mais interessantes.

Admito que na vida existem felicidades que duram dez segundos ou meia hora, como quando nasceu meu primeiro filho - naquele instante, eu estava feliz. Mas são momentos muito breves. Alguém que é feliz a vida toda é um cretino. Por isso, antes de ser feliz, prefiro ser inquieto.

Algo de muito bonito que ocorre ao envelhecermos é que nos recordamos de uma multidão de coisas da infância que tinham sido esquecidas (...) Por isso, vou ao encontro de minha velhice com muito otimismo, porque, quanto mais envelheço, mais recordações tenho de minha infância.

Minha relação com os alunos sempre foi uma relação de aprendizagem, porque, ensinando, eu também aprendia (...) Uma relação erótica, porque a relação de um professor com um aluno é como a relação de um ator com seu público: quando você aparece em cena, é como se o estivesse fazendo pela primeira vez, e você tem a sensação de que, se não tiver conquistado o público nos primeiros cinco minutos, o terá perdido. É isso o que eu chamo de uma relação erótica, no sentido platônico do termo. Além disso, há uma relação canibal: você come as carnes jovens deles, e eles comem sua experiência. Há pessoas infelizes que passam os primeiros anos de sua vida com pessoas mais jovens, para poder dominá-las, e, quando envelhecem, estão com pessoas mais velhas. Comigo aconteceu o contrário: quando eu era jovem, estava com pessoas mais velhas que eu, para aprender, e agora, tendo alunos, estou com jovens, o que é uma maneira de manter-se jovem. É uma relação de canibalismo; comemos um ao outro. Por isso não deixei de ter relação com a universidade, apesar de ter me aposentado.

Cinqüenta por cento dos italianos votam em Silvio Berlusconi, o que é indicativo de uma profunda imaturidade política. É um momento extremamente triste, em que os elementos de esperança e entusiasmo são muito poucos.

Estamos em velocidade tão grande que não existe nenhuma bibliografia científica americana que cite livros de mais de cinco anos atrás. O que foi escrito antes já não conta, e isso é uma perda também quanto à relação com o passado.

Essa velocidade vai provocar a perda de memória. E isso já acontece com as gerações jovens, que já não recordam nem quem foram Franco ou Mussolini! A abundância de informações sobre o presente não lhe permite refletir sobre o passado. Quando eu era criança, chegavam à livraria talvez três livros novos por mês; hoje chegam mil. E você já não sabe que livro importante foi publicado há seis meses. Isso também é uma perda de memória. A abundância de informações sobre o presente é uma perda, e não um ganho.

Esse é um de nossos problemas contemporâneos. A abundância de informação irrelevante, a dificuldade em selecioná-la e a perda de memória do passado -e não digo nem sequer da memória histórica. A memória é nossa identidade, nossa alma. Se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal. Se você bate a cabeça em algum lugar e perde a memória, converte-se num vegetal. Se a memória é a alma, diminuir muito a memória é diminuir muito a alma.

Vamos à internet para tomar conhecimento das notícias mais importantes. A informação dos jornais será cada vez mais irrelevante, mais diversão que informação. Já não nos dizem o que decidiu o governo francês, mas nos dão quatro páginas de fofocas sobre Carla Bruni e Sarkozy [atual presidente da França]. Os jornais se parecem cada vez mais com as revistas que havia para ler na barbearia ou na sala de espera do dentista.

Hoje, emergem muitas posições anticlericais, e muitas pessoas se declaram atéias. Ninguém estava pensando nisso antes. Subiu ao trono um papa que pensa como um papa do século 19.

sábado, maio 03, 2008

Publicação

Amigos,
A Editora Komedi publicou um conto meu na revista eletrônica "Literatura".
Quem quiser conferir, é só clicar no link abaixo:

sábado, abril 26, 2008

Pagando as dívidas...

Há algum tempo que aceno com a possibilidade de escrever um texto sobre o filme Piaf, mas nunca o fiz. As razões são muitas, mas a mais pungente é que toda vez que arrisquei rabiscar qualquer coisa, impressão, emoção, achava o texto muito aquém daquilo que foi despertado em mim.
Dessa vez também não será diferente. Há muito compreendi os caprichos da palavra: às vezes, ela é poderosa e indiscutível; outras, ela é impotente, incapaz de traduzir o arrepio na pele, a lágrima vertida.
Foi aí que constatei que Piaf se assemelha muito com a palavra: misteriosa, reveladora, ininteligível, contida, soberba, efusiva, elegante, ordinária, controversa, resumida. Piaf era tudo isso e muito mais.
Piaf era previsível. Sim, pre-vi-sí-vel. Dificilmente alguém com seu histórico de vida não perpetuaria as marcas da dor, as mazelas da infância, a crueldade das experiências, a amargura do abandono. Era preciso ser supra-humano para passar incólume por tudo isso. E Piaf era só humana... humana como eu ou como você. É por isso que sua trajetória nos encanta tanto. Sua e outras tantas histórias demasiadamente humanas. São essas histórias que nos marcam, porque criam laços, identidades, nos faz pertencer ao mesmo clã, ao mesmo pó. Somente as experiências afins são comunicadas com tanta delicadeza e força.
Clark Kent, Peter Park, Bruce Wayne e demais heróis distraem-nos daquilo que somos; modificam o foco, a perspectiva da nossa condição, despertam desejos de ser o que jamais seremos. São sonhos, entretenimento, utopia. E não estou dizendo que sejam dispensáveis. Não são. A vida sem esses elementos seria insuportável. Precisamos alimentar quimeras pra conseguirmos agüentar a brutal realidade de sermos apenas quem somos.
Foi por isso demorei tanto a escrever sobre os sentimentos que o filme despertou em mim. Custei a entender que tanta semelhança embaçava o brilho do sonho.
E há momentos na vida em que o que se quer é ser mulher-gato, bela adormecida, mulher maravilha, qualquer coisa que nos faça esquecer, ainda que por momentos breves, que somos Piaf, Stephen Biko, Camille Claudel, Dorothy Parker, Virgínia Woolf, enfim, pessoas que assumiram sua condição e viveram suas experiências baseadas na realidade que as cercavam.
Piaf, para além da cantora maravilhosa, intensa; para além da voz refinada e marcante, era só Piaf, por isso, inesquecível.

quinta-feira, março 27, 2008

Justa homenagem

Photobucket
Começa hoje, no Clube Monte Líbano em São Paulo, a comemoração dos 125 anos do nascimento do escritor, pintor e filósofo libanês Khalil Gibran (1883-1931) com o lançamento de medalha, mostra e debates sobre sua obra.
A presidente da Associação Cultural Brasil-Líbano, Lody Brais, conseguiu do Museu Gibran filmes sobre o artista que começam a ser exibidos no sábado. Na sexta, será inaugurada exposição com livros, pinturas, cartas e documentos pessoais no hall do teatro do clube. E no domingo será instalado o busto do escritor na praça que fica entre as Avenidas República do Líbano e Afonso Brás.
Gibran teve sua obra marcada por grande misticismo e idealismo. Seu livro mais famoso, O Profeta, fala de um visionário que se prepara para uma grande viagem que talvez não tenha volta, o que deixa seus discípulos desolados, contudo, antes de partir, orienta-os acerca do amor, amizade e liberdade. Gibran tentou unir crenças e filosofias aparentemente inconciliáveis, uma vez que o livro acentuadamente romântico foi influenciado por fontes de aparente grande contraste: Nietzsche, a Bíblia e William Blake.
Gibran emigrou para os Estados Unidos e começou a escrever poemas e meditações para O Emigrante (Al-Muhajer), jornal árabe publicado em Boston. Ele também desenha e pinta e na exposição de seus primeiros trabalhos, atrai o interesse de Mary Haskell, sua mecenas. Mary custeia os estudos de Gibran em Paris. Lá, ele conhece Rodin e torna-se aluno do famoso artista. Uma de suas telas é escolhida para a Exposição de Belas-Artes de 1910.

Amai-vos...

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.
Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,

mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.

E vivei juntos,
]mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.

sexta-feira, março 21, 2008

Quando criança, eu via todos os episódios. Eu me pergunto o porquê dessa tietagem. Nunca fui fã de desenhos japoneses, não sou amante de corridas de carro, mas eu era absolutamente fascinada pelo Speed Racer. O Corredor X? Santo Deus, eu era apaixonada por ele! Sonhava com o dia que em veria o rosto por trás da máscara. Óbvio, isso nunca ocorreu.
Agora sinto a mesma excitação da infância. Estou louca para ver como ficou o filme transportado para a telona do cinema.
Para quem gosta, vale a pena conferir:

Mach 5
Mach 5
Corredor XSpeed Racer
Corredor X/ Rex Racer e Speed Racer

sábado, março 08, 2008

Radiola (10)

Enquanto o post não vem...

Rien de rien

(Michel Vaucaire/Charles Dumont)

Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal!

Non! Rien de rien Non!
Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux!

Balayées les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro

Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal!

Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi!

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Re: SOCORRO

Bem, parece que já consegui por isto novamente a funcionar... falta adicionar uns links apenas, não tardarão a aparecer. Ainda bem que fizeste esta revolução Lu, andava há bastante tempo para adaptar o nosso template às novas funcionalidades do Blogger mas sempre que tentava dava-me uma preguiça imensa... portanto, não te preocupes, o 'delete' veio em boa hora... até já!

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

SOCORRO

Vítor, não me mate!
Tome um lexotan e somente após isso acesse o blog... porque eu eu eu, assim, como posso dizer... fiz uma merda sem precedentes. Apaguei o layout por engano.
Glup!!!

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Para que servem as listas?

Não sei bem, talvez para serem contestadas. O certo é que elas proliferam ano após ano.
Apresento-lhes a lista dos “Cem Melhores Filmes”, feita pelo crítico inglês Ronald Bergan, que consta no seu livro que acaba de ser traduzido e publicado pela Editora Zahar.
Bergan tece comentários sobre cada um dos filmes que selecionou, ordenados rigorosamente em ordem cronológica.
Se há injustiças? Ou melhor seria dizer omissões? Sempre há, mas confesso que fiquei orgulhosíssima ao ver citado o brasileirinho Cidade de Deus.
Cinéfilos, deliciem-se.

O Nascimento de uma Nação – O Gabinete do Dr. Caligari – Nosferatu, o Vampiro – Nanook, o Esquimó – O Encouraçado Potemkim – Metrópolis – Napoleão – Um Cão Andaluz – O Martírio de Joana d’Arc – Nada de Novo no Front – O Anjo Azul – Luzes da Cidade – Rua 42 – O Diabo a Quatro – King Kong – O Atalante – Branca de Neve e os Sete Anões – Olímpia – A Regra do Jogo – ... E o Vento Levou – Jejum do Amor – As Vinhas da Ira – Cidadão Kane – Relíquia Macabra – Pérfida – Ser ou Não Ser – Nosso Barco, Nossa Vida – Casablanca – Obsessão – O Bulevar do Crime – Nesse Mundo e no Outro – A Felicidade Não se Compra – Ladrões de Bicicleta – Carta de uma Desconhecida – Um País de Anedota – O Terceiro Homem – Orfeu – Rashomom – Cantando na Chuva – Era uma Vez em Tóquio – Sindicato de Ladrões – Tudo o que o Céu Permite – Juventude Transviada – A Canção da Estrada – A Mensagem do Diabo – O Sétimo Selo – Um Corpo que Cai – Cinzas e Diamantes – Os Incompreendidos – Quanto Mais Quente Melhor – Acossado – A Doce Vida – Tudo Começou no Sábado – A Aventura – O Ano Passado em Marienbad – Lawrence da Arábia – Dr. Fantástico – A Batalha de Argel – A Noviça Rebelde – Andrei Rublev – The Chelsea Girls – Bonnie e Clyde – Meu Ódio Será sua Herança – Sem Destino – O Conformista – O Poderoso Chefão – Aguirre, a Cólera dos Deuses – Nashville – O Império dos Sentidos – Taxi Driver – Noivo Neurótico, Noiva Nervosa – Guerra nas Estrelas – O Casamento de Maria Braun – O Franco-Atirador – ET, o Extra-terrestre – Blade Runner, o Caçador de Andróides – Paris, Texas – Heimat – Vá e Veja – Veludo Azul – Shoah – Uma Janela para o Amor – Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos – Cinema Paradiso – Faça a Coisa Certa – Lanternas Vermelhas – Os Imperdoáveis – Cães de Aluguel – Trois Couleurs – Através das Oliveiras – Quatro Casamentos e um Funeral – Troy Story – Fargo, uma Comédia de Erros – O Tigre e o Dragão – Amor à Flor da Pele – Traffic – O Senhor dos Anéis – Cidade de Deus – Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Reencontros

No romance Avalovara, Osman Lins apropria-se de uma figura mítica hindu (Avalokitesvara) para representar as possíveis narrativas que dão significado à vida. O autor tenta representar a totalidade da vida (as paixões, o tempo, a cosmogonia...) pela fabricação do romance ficcional.
Desde que li tal livro, nunca mais fui a mesma. Osman Lins fez uma revolução na minha maneira de encarar a criação artística. Não há criação literária sem que o artista viva intensamente a sua época, sem que se misture a toda sorte de experiências. Mais do que uma arte pura, a criação literária é um processo que se dá por contágio. “Busco as respostas dentro da noite e é como se estivesse nos intestinos de um cão. A sufocação e a sujeira, por mais que procure defender-me, fazem parte de mim – de nós. Pode o espírito a tudo soprepor-se? Posso manter-me limpo, não infeccionado, dentro das tripas de um cão?”
Eis como Osman recria o seu Avalorava:
“Ataviado com todas as cores dos pavões, o Avalovara lembra um manuscrito iluminado. Nele, quase é possível ler. A cauda é longa e curva, com reflexos de cobre. As asas, seis, de um tom verde celeste quando repousadas, ostentam na face interna, quando abertas, círculos de muitas cores, dispostos com simetria sobre fundo escarlate”.
O pássaro mítico do romance é formado por milhares de outros pássaros, renasce no betume e é livre da mudez e da imobilidade.

Nada é por acaso

Há muito tempo prometo-me a leitura de A viagem de Théo, de Catherine Clément, mas nunca conseguia cumprir o desejo.
Durante minha viagem, então, resolvi levá-lo na bagagem. Foi uma grata surpresa! Como eu costumo dizer para o meu amigo Vítor, repito aqui: são os livros que nos escolhem e eles se nos apresentam no momento certo.
Publicado em 1997, muitos anos após o Avalovara. Pela ordem cronológica e do meu desejo, deveria tê-lo lido, mas não o fiz. Foi preciso primeiro conhecer o pássaro de Osman, para mais tarde, reencontrá-lo:
“No inicio dos tempos, segundo os ensinamentos budistas, um grande macaco quis se converter graças às lições de um santo bodhisattva de nome complicadíssimo, Avalokitesvara. O santo mandou-o para as neves do Tibete, porque quanto mais perto do céu, melhor a gente se concentra. Enquanto o macaco meditava sobre a compaixão, passou uma cuca que se apaixonou loucamente por ele e assumiu a forma de mulher. Preso pelo voto de castidade, o macaco repeliu as investidas da cuca, mas ela soube suplicar tão bem que ele consentiu em dormir ao lado dela. Ainda não bastava. Como o macaco resistisse, a cuca ameaçou dar nascimento a monstros que devorariam a raça humana.”
Avalokitesvara aconselhou que o macaco se casasse com a cuca, por compaixão. Avalokitesvara é a mais popular das deidades budistas. Ela tem como promessa escutar a súplica daqueles que estão em dificuldade no mundo, ajudando-os a alcançar a iluminação. Ela é a emanação da compaixão. Avalokita é aquele que escuta os sons do mundo; svara é o senhor. Então, Avalokitesvara é o senhor que tudo ouve.

No romance, Osman funda reinos através da palavra, onde esta é o instrumento que tece a vida.
Clément diz, através da história das religiões, que o homem nu é o homem sem palavra; quando ele fala, ele se veste.
A relação da tessitura dos textos com os mitos? A Religião, mais do que mi(s)ticismo, é o universo da fundação dos reinos, da congregação de significados unificantes. Da mesma forma, o texto redefine o papel do homem enquanto criador. A busca pelo texto perfeito assemelha-se à busca da Jerusalém prometida, ou seja, é um ideal, o ato de redenção. Nesse sentido, religião e criação literária oferecem ao homem a possibilidade de ser demiurgo, porque estabelece-se o complexo jogo do divino e do profano.
Mircea Eliade, em O sagrado e o profano já dizia:
“Uma criação implica superabundância de realidade, ou por outras palavras, uma irrupção do sagrado no mundo. Segue-se daí que toda a construção ou fabricação tenha como modelo exemplar a cosmogonia.”
Ou ainda, segundo Gusdorf em A palavra:
“Chegar ao mundo é tomar a palavra, transfigurar a experiência em um universo do discurso."

Confessionário (50)

Meu querido amigo,

Voltei! E estar de volta, no meu caso, comporta muitos significados.
Aos poucos retomo leituras esquecidas ou simplesmente empoeiradas pelas cinzas das horas. Já sinto vontade de brincar com o papel e a caneta; permito-me à contemplação silente das idéias que vêm e vão sem qualquer avidez ou aflição, elas já possuem novamente total liberdade para adentrar meus espaços e se ficam ou partem, o fazem sem cerimônias.
Guarda este dia, meu Vítor. Hoje voltei a mim; hoje, me reconheço novamente pessoa. Sei que houve um grande intervalo, um lapso pesado no qual toda e qualquer comunicação foi rompida, mas foi o tempo necessário. Sou uma criatura de longos invernos porque devoro a vida até me fartar, absorvo toneladas de sentimentos de tal forma que a obesidade é inevitável. E não é fácil perder peso, esvaziar-se das experiências vividas.
Digo-te com imensa serenidade: estou livre! Ao escrever-te isso, sinto os olhos turvos, meu amigo, mas são lágrimas repletas de paz, livre de todo peso e dor que carreguei nos (quase) dois últimos anos.
Eu hoje celebro a vida, meu Vítor! E este renascimento é quase místico. Sinto-me como o herói que cumpriu sua tarefa ou ainda como uma carpideira que, após cumprir seu ritual de luto, acorda purificada pelas águas que verteu.
Há tanto o que dizer, Vítor. Ao mesmo tempo, não sinto nenhuma necessidade de explicação. Eu sei que tu me entendes e isso é um delicioso alento.
Estive viajando nas duas últimas semanas. Fui a Florianópolis, local que tenho forte relação afetiva e onde se deu a grande ruptura do processo que vivo. Foi lá o começo da minha fragmentação.
Tinha uma pessoa a quem amava muito e que era um grande companheiro intelectual. Compartilhávamos mútua admiração pelo exercício poético e pela crítica. Lembro que foi o período em que mais produzi poemas, trabalhei com imagens e cores, sentia-me respaldada no amor pelas palavras e vivi, no tempo da madureza, uma relação platônica no seu sentido mais amplo.
Meu querido, entendi que um ciclo se fechou. Compreendi que preciso ser estimulada constantemente por pessoas que comunguem da grande orgia palavrosa que é a vida. Sem isso, não há graça, não há renovação e continuidade.
Meu Vítor, um novo ciclo começou quando entraste na minha vida. Contigo não me sinto só.
Lembras que uma vez disseste-me que a nossa alma gêmea não precisa ser necessariamente a pessoa com quem nos relacionamos amorosamente? Isso faz todo o sentido para mim, agora. Para que eu seja inteira, não basta somente o amor. A completude da minha alma passa pela troca dialógica, pelo exercício da oratória, pela cosmovisão e nessa perspectiva, nunca estive tão bem acompanhada. Tu és minha alma gêmea sem qualquer sombra de dúvida. Eu celebro esse encontro raro e feliz.
Tintim!

terça-feira, janeiro 08, 2008

nota do dia (26)

marquei há dois dias uma viagem, a primeira que farei absolutamente sozinho, sem família, sem amigos ou amantes. será curta, uma semana apenas, mas não será a última... talvez daqui a um ano uma outra viagem possa estender-se por um mês, talvez outra posterior possa estender-se por um ano, talvez um dia vá e nunca mais volte... testemos então a coragem...

segunda-feira, janeiro 07, 2008

o Sincronicidade faz hoje dois anos... menos activo que no passado mas com muita vontade de existir... será interessante no futuro, olhar para trás e perceber que este caderno partilhado foi capaz de traduzir os nossos próprios ritmos: as vezes em que quase sufocámos de tanto querer dizer e as outras, onde o silêncio talvez tenha comunicado mais do que as palavras... continuemos portanto.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

«Merry Christmas and a Happy New Year»


'Merry Christmas and a Happy New Year', Lambda print, 2005, Maja Bajevic

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Lançamento

O senhor das Horas
(Autran Dourado)



UM
O coronel Domingos Monteiro, agora na sala de estar, olhava o grande e trabalhado relógio-armário, que comprara de espólio de João Capistrano Honório Cota. Pensava na fatalidade do destino, na proximidade da morte, no fino e lento escoar das implacáveis areias do tempo, no vagaroso escorrer das fatais ampulhetas, nos cada vez mais precisos instrumentos com os quais os homens, através do tempo e na sua angústia, procuram domesticar as horas, para enterrá-las no sarcófago do tempo. Assim ficou ele detrás das pálpebras semicerradas, pensando no sem-fim do tempo.

Sua filha Lúcia se aproximou dele, dizendo – dormindo, papai? Ele disse não, estava apenas pensando na fatalidade das horas, no sem tempo de Deus. O coronel Domingos Monteiro era o seu tanto retórico. Cogitava no destino, nas horas, nos deuses lutando contra as potências do Mal, disse ele.

Ela abriu o piano e começou a dedilhar uma das noveletten de Schumann, que era a obsessão absurda do pai, afogado no ventre do tempo. Ele só se interessava por aquela peça de Schumann, às outras noveletten era indiferente, apenas as ouvia sem o maior interesse.

Todas as noites uma de suas filhas acompanhava a mãe à reza na Igreja do Carmo. Agora as três filhas e a mulher, Carmela, estavam na sala. O coronel perguntou quem iria aquela noite com a mãe à reza na Igreja do Carmo, nada dela ir sozinha. Ninguém falou nada, apenas Lúcia, rebelde, que acabou dizendo ontem era meu dia de folga, e eu fui. Quando devia ser o meu, disse Mirtes, e começaram a discutir. O coronel disse não importa de quem era, eu escolho para hoje Lúcia, a fim de recomeçar a contagem. Pois eu não vou, disse ela. Como não vai?!, disse o coronel enraivecido. Mas se quer assim, que assim seja. Em compensação não vai comer à nossa mesa durante cinco dias, mas na cozinha, com os empregados, que é para você aprender a obedecer às minhas decisões. Lúcia, a predileta do pai, olhou espantada para ele. Não esperava jamais aquela reação dele.

Ele não era como um daqueles coronéis do interior, grossos, incultos e mandões. Um homem fino, de boa leitura, fez seus versos, estudou em São Paulo, não chegando a concluir o curso de direito, ficou no terceiro ano porque, filho único, com a morte do pai, foi chamado pela mãe para tomar conta da fazenda e do armazém de beneficiar café. Na faculdade, sem interessava mais pelas letras do que pelas leis. Freqüentava as roas literárias, chegou mesmo a publicar uns poucos versos dos muitos que tinha escrito. A idéia de voltar para Duas Pontes, com o seu ambiente acanhado, não lhe agradava. Duas Pontes era só para as férias, quando freqüentava poucos os letrados da cidade.

Ele meteu o chapéu na cabeça e foi para o armazém. Por lá costumavam passar os seus amigos mais chegados. Conversavam vagos assuntos, mais para enrolar o tempo, jogar conversa fora.
Pouco antes da hora de fechar o armazém, o filho Abel disse vamos embora, papai, está na hora de encerrar o expediente. O velho não disse nada, apanhou o chapéu e foi para casa.

Ele chegou em casa, foi lá dentro falar com a mulher, depois dirigiu-se à sala de estar, se sentando na sua poltrona habitual. Aí ouviu os primeiros acordes de uma das noveletten de Schumann, que o emocionava e prendia, era o absurdo. Daí a pouco veio Mafalda, depois Mirtes, e começaram a conversar sobre coisas do dia-a-dia. Papai, o Juvêncio, filho de seu Gaudêncio, está querendo freqüentar a nossa casa, para namorar, o senhor concorda?, disse Mafalda. Não faço a menor objeção, tenho até muito prazer, o Gaudêncio é boa gente, meu amigo, disse o coronel.

Os acordes da música cessaram, dona Carmela disse a si mesma é mais uma das muitas esquisitices do senhor meu marido. Não faço nenhuma oposição, disse ele. Se é filho do Gaudêncio, tenho até gosto, e pensou a menina está carecendo mesmo é de casar, tem trinta anos. Lúcia se levantou da banqueta, foi-se embora. Ele ficou, os olhos semicerrados, gozando a fresca da tarde. Acabou por adormecer, teve um sonho horroroso, era mais um pesadelo. E o tempo, travestido em gente, mordia-lhe um dos braços e lambia o sangue que escorria da sua boca.

Ele sentia uma dor terrível. Mesmo assim, apesar dos rugidos do tempo, se esforçava para acordar, não conseguia. O coronel não acreditava muito no Deus distante. Mesmo assim, tentava se lembrar das palavras das orações que uma preta velha lhe ensinara, ele menino. Não conseguia, misturava agora as palavras. "Ave Maria, cheia de graça, rogai por nós", "que estais no Céu, santificado seja o vosso nome", "por que me abandonaste, Senhor?" "Se sabias que eu não era Deus?" Não, isso não é oração, é poesia, se disse ele. O que peço, Senhor, é muito pouco – apenas acordar. Mas me livrai dos dentes do tempo, da sua boca sanguinolenta. Acordei, gritou. Agradeço-vos, Senhor, por ter atendido à minha prece. Cansado, suspirava ofegante. Por que aquela obsessão com o tempo? Por quê, Senhor, a fixação, naqueles terríveis pesadelos? Lhe devo alguma coisa além dos meus muitos pecados? Desde menino sou assim, os meus absurdos pesadelos. Só que os meus pesadelos eram outros, não tinham a voracidade do terrível Tempo. Para ele a consciência do tempo, apesar da sua pouca idade, ainda não existia. Só apareceria mais tarde, com o branco dos seus cabelos. No espelho do quarto é que via a sua idade.

terça-feira, dezembro 11, 2007

sublinhado (69)

Encontrando-me para lá de Ciudad Real, pus-me a pensar na magia das despedidas radicais, no encanto das despedidas radicais dessas pessoas que tanto admiramos quando vimos a saber que foram capazes de mandar tudo para o diabo, que bateram com a porta e se foram embora, não sem antes dizer fiquem aí, seus cabrões.
Quando ouvimos contar que alguém deixou toda a gente pendurada, nós em silêncio, com raiva contida, aprovamos esse audaz, purificador, elementar impulso. Como não haveríamos de aprovar se todos odiamos o nosso domicílio, o lar nos aborrece, ter de estar nele? Eu, pelo menos, já as tinha começado a jurar ao meu domicílio. Era um entusiasta da Teoria de los abandonos, um poema de Philip Larkin: «Todos odiámos a nossa casinha, / ter de viver nela: / eu detesto o meu quarto, / os seus trastes especialmente escolhidos, / a bondade dos livros e a cama / e a minha vida perfeitamente em ordem.» (pág. 42)
Doutor Pasavento (Teorema), Enrique Vila-Matas

domingo, dezembro 09, 2007

nota do dia (25)

os Nouvelle Vague convenceram-me... o concerto de Guimarães foi realmente bom.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

nota do dia (24)

Hoje, um senhor com os seus sessenta e muitos anos abordou-me na rua com um papel na mão, entregou-mo e disse-me 'leia-o e guarde-o consigo. Assim que tenha oportunidade fotocopie-o e entregue uma cópia a outra pessoa tal e qual o estou a fazer agora... muito obrigado e tenha um bom dia.' O papel dizia isto:

Um Sorriso
Um sorriso não custa nada e produz muito. Enriquece quem o recebe sem empobrecer quem o dá. Ninguém é tão rico que não precise dele e ninguém é tão pobre que não o possa oferecer. Um sorriso dá repouso ao cansaço e ao desânimo, renova a coragem, e é consolação na tristeza. Ninguém necessita mais de um sorriso do que aquele que não sabe sorrir.

Eu sorri... e darei resposta ao pedido do senhor simpático que me presenteou e transformou o meu dia. Muito obrigado.

sublinhado (68)

Pensei na quantidade de escritores que apareciam na minha vida, nos meus sonhos, mos meus textos. Embora a grande maioria deles costume ser gente vaidosa e mesquinha, há uma estranha secção minoritária de escritores que têm anjo e que são muito mais fascinantes do que o resto dos mortais, pois são capazes de nos conduzir com assombrosa facilidade a outra realidade, a um mundo com uma linguagem distinta. (pág. 12)
Doutor Pasavento (Teorema), Enrique Vila-Matas

quarta-feira, novembro 14, 2007

Por que o ser humano, às vezes, é tão cruel?

A pergunta acima não pretende alcançar respostas socio-políticas ou de qualquer outra natureza. Ela é mais "refrão" de indignação até porque não acredito em nenhuma resposta que me convença ou minimize a dor das pessoas envolvidas.
O que eu acho triste mesmo é a empáfia com que o Homem se diz superior a toda a natureza ao seu redor, o modo como se vangloria da sua inteligência, mas foi estúpido o suficiente para acreditar no maior conto da carochinha jamais inventado: o da cor da pele.
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
Shooting Dogs, 2006.
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
Hotel Rwanda, 2004.

segunda-feira, novembro 05, 2007

'para ouvir ... e ver'

uma amiga enviou-me este vídeo, como ela bem dizia no e-mail, para ouvir... e ver:


In the Mausoleum, Beirut

quinta-feira, novembro 01, 2007

halloween

"They were both experienced in such affairs, and powerful with the spade; and they had scarce been twenty minutes at their task before they were rewarded by a dull rattle on the coffin lid. At the same moment Macfarlane, having hurt his hand upon a stone, flung it carelessly above his head. The grave, in which they now stood almost to the shoulders, was close to the edge of the plateau of the graveyard; and the gig lamp had been propped, the better to illuminate their labours, against a tree, and on the immediate verge of the steep bank descending to the stream. Chance had taken a sure aim with the stone. Then came a clang of broken glass; night fell upon them; sounds alternately dull and ringing announced the bounding of the lantern down the bank, and its occasional collision with the trees. A stone or two, which it had dislodged in its descent, rattled behind it into the profundities of the glen; and then silence, like night, resumed its sway; and they might bend their hearing to its utmost pitch, but naught was to be heard except the rain, now marching to the wind, now steadily falling over miles of open country."
The Body-Snatcher, 1884, Robert Louis Stevenson