segunda-feira, dezembro 15, 2008

'les choses sont lá... pourquoi les inventer?'

sábado, dezembro 06, 2008

someone's movie



Hiroshi Sugimoto

terça-feira, novembro 04, 2008

Notinha breve e ufanista

O longa nacional Chega de Saudade, de Laís Bodanzky, ganhou anteontem o prêmio de melhor filme no 14º Festival Internacional de Genebra, na Suíça. Participaram da competição produções de países como Estados Unidos, China, Irã, Dinamarca e Colômbia. A principal premiação concedida ao filme, que retrata diferentes histórias em um salão de baile, foi feita por um júri de várias nacionalidades, como o diretor da Cinéfoundation do Festival de Cannes, Georges Goldenstern. Em agosto, o longa, encenado por Stepan Nercessian, Beth Faria e Cássia Kiss, levou o título de melhor trilha sonora do 3º Prêmio Contigo! de Cinema.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, outubro 13, 2008

comunicar por imagens
quando não se tem palavras
*

sexta-feira, outubro 03, 2008

As Matriarcas (11)

Quando dei por mim, estava de volta ao meu quarto, na pensão do Agenor. Levantei-me sobressaltada e sentei-me na cama e qual foi o susto quando vi o Tiziu com aqueles olhos arregalados, sentado na poltrona de veludo, a olhar para mim:
- O que houve? E o que você faz aqui, Tiziu?
- Não está lembrada, D. Olívia? A gente estava andando de bicicleta lá pras bandas do Largo da Esperança quando a senhora passou mal e desmaiou. Acho que foi o sol. Estava quente por demais e a senhora não deve de tá acostumada.
- Não deve estar acostumada!
- Pois não foi o que eu disse? Então, voltei correndo na bicicleta, busquei a charrete e o Nhô Agenor para ajudar.
- Ah, sim! Agora estou me lembrando... Diga-me, faz muito tempo que estou dormindo?
- Não. Coisa de meia hora.
- E você ficou aqui esse tempo todo, velando meu sono?
Acho que a comoção na minha voz o deixou enrubescido.
- É. Queria saber se a professora tava bem – disse um Tiziu todo envergonhado.
- Estou ótima, Tiziu. Agora você pode ir. Descanse um pouco e faça seus deveres de casa. Mas antes, pegue ali a minha bolsa.
Ele foi pegá-la, todo preocupado.
- Aqui está o seu pagamento.
- Não, D. Olívia. Não precisa pagar. A gente nem chegou a fazer o passeio direito.
- Pegue. Esse é o combinado. Além do mais, você ainda teve o trabalho de voltar para buscar ajuda. Vamos, vamos. Pegue.
Relutante, ele esticou a mão para receber o dinheiro. Eu o puxei e disse-lhe:
- Muito obrigada. O dinheiro é seu para comprar o que quiser, mas não vá gastar com bobagens, sim?
- Pode deixar, D. Olívia.
Quando Tiziu bateu a porta, fiquei lembrando-me de tia Margarida, da procissão, de seus surtos, de sua dor.
A primeira vez que vi tia margarida se descontrolar foi na morte da bisa Lola. Mais tarde, na procissão e depois disso, ela nunca mais foi a mesma.
Antes de tudo isso começar, ela dava aula no Grupo Escolar. Era uma excelente professora. As crianças adoravam-na. Lembro de tia Guidinha sempre perfumada, usando saias esvoaçantes. Ela tinha pernas escandalosas. Ela gostava de poesia e me fez ter gosto por literatura. A primeira vez que li Bandeira, deparei-me com um poema seu que dizia assim:

A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos era muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do
[corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

Disse a ela que achei Tereza a sua cara e que mesmo sem conhecê-la, Manuel Bandeira escrevera aqueles versos para ela. Ela divertia-se com essa minha idéia.
Quando tia Margarida surtava, escutar a mim declamando esse poema era uma das poucas coisas que a acalmava.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Confessionário (53)

Meu Vítor,

Durante este fim de semana pensei tanto no que me liga a ti, no amor que nos une, na serenidade da certeza de saber-te meu, no que há de genuíno em deixar-se amar por alguém sem avarezas.
Há dias que não sei se desejo voltar ao estado anterior em que não tinha certeza de existir, em algum lugar deste Universo, uma alma afim... há dias, meu Vítor, que desejo novamente não sabê-lo, porque me pergunto que bem há em saber que ela existe, sim, mas vive distante a tantos mares, a tantas ausências sentidas, a tanta falta de abraço.
Tenho na memória guardada toda lembrança dos dias rápidos em que estivestes aqui, ao meu lado, ao alcance da mão. Retenho então em mim o abraço apertado, o olhar cúmplice, a face do reconhecimento, a felicidade de saber que sou par, que outros da minha espécie existem. Só suporto tamanha saudade e falta de afago porque há quem viva mil anos sem jamais experimentar aquilo que sentimos. Viveria toda uma eternidade novamente somente para desfrutar do nosso encontro.
Na concha das minhas mãos, entrego-te minha partilha, meu coração contrito e a minha esperança de vê-lo em melhores dias.
Meu Vítor, eis aqui a chave que abre os portões de Amboise. Toma-a.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Das sincronicidades

Meu Vítor,

Lembro-me que foste tu o culpado. Foram tuas mãos que me levaram aos versos intensos de Fiama Hasse Brandão.
Hoje estava aqui em casa lendo alguns de seus poemas e, por curiosidade, fui ao google procurar outras referências a respeito de sua obra. Ao pesquisar, caiu-me no colo este vídeo lindo da Adriana Calcanhotto que, como tu bem sabes, é minha cantora favorita.
Compartilho contigo os versos e a música para que te enterneças tanto quanto eu.
Beijo saudoso,
Tua Lu

Poética do eremita
(Fiama Hasse)

No deserto estão secas
as pedras que no mar se molhavam
a semelhança confunde o eremita que solitário demais
passou o tempo entregando-se à solitária memória
aqui a pedra seca
para o eremita não perdeu
a qualidade húmida de poder
ter estado ao pé do mar.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Homenagem a Dorival Caymmi (1914-2008)

Por não saber o que dizer desse homem que imortalizou o mar em canções belas e preguiçosas, deixo que a música diga por si só.
Despeço-me de Caymmi como quem observa as ondas da arrebentação.
É doce morrer no mar (Dorival Caymmi), com Dori Caymmi.

terça-feira, agosto 12, 2008

no seguimento do post anterior: beatriz (é música e poema)

'Beatriz' de Edu Lobo e Chico Buarque

na versão de Maria João e Mário Laginha

segunda-feira, agosto 11, 2008

Prosa, verso ou música?



Wally Salomão

Fronteira pouco nítida

O que o Chico Buarque diz não importa, ele é poeta sim. Muitas das letras dele têm qualidade superior a grande parte do que se encontra na literatura. Esta semana eu peguei um texto de Chico intitulado "Canção que existe", que me lembrou muito Dante em A Divina Comédia. E se você ler este texto, classifica-o como poesia tranqüilamente.
A Língua Portuguesa tem tradição na fusão entre a poesia e a letra de uma música. Existem sutis diferenças entre as duas, claro, mas elas estão muito próximas. Não há uma regra definida para o que pode ou não ser poesia. Eu não aceito quando alguns professores de Português, estrategicamente, tentam fazer uma separação entre as duas áreas. A única coisa que eles conseguem dizer é que poesia é aquele texto que se sustenta na página. Para mim, este argumento não faz o menor sentido. Lógico que existem pontos característicos de cada um destes mistérios. Um pernambucano, João Cabral de Melo Neto, disse em Duas Águas que existem poesias para serem ditas em voz alta e em voz baixa. Ou seja, há diferenças entre música e poesia, mas a fronteira entre elas não é tão nítida. Quando eu faço um texto sabendo que este vai ser musicado, o processo de criação não é o mesmo. Por exemplo, Maria Betânia me pede uma letra, eu penso já na voz dela. Porém, ao mesmo tempo, eu posso fazer uma letra nem pensando em musicá-la e acaba acontecendo, como Mel, que só depois de pronta, foi trabalhada por Caetano Veloso.
A poesia já tem um ritmo próprio. A história dos poemas prova isto, quando estes eram recitados por menestréis ou em jograis pelos povos mouros. Até hoje, percebendo o texto de Garcia Lorca, esta influência do canto popular está bem clara. Então, como a poesia tem um ritmo próprio, não há rigidez no que pode ou não ser musicado.

Wally Salomão é poeta e letrista


Jacy Bezerra

Canções que resistem

Em alguns casos, eu concordo que uma letra de música pode ser considerada poesia, como no Concretismo, por exemplo. Existem letras que sobrevivem independente de serem enquadradas como música. "Águas de Março" de Tom Jobim é para mim um grande poema. Outros artistas fazem trabalhos além da música também, como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque.
Eu já vi algumas entrevistas com Chico na qual ele afirma não ser poeta e acho que em certo ponto tem até razão. Eu acho interessante quando ele diz que faz primeiro a música e depois a letra. Em todo caso, Chico Buarque deve ser considerado principalmente e essencialmente músico, mas algumas de suas letras podem facilmente ser classificadas poesias, como "Carolina" e "A banda". Estas canções resistem no papel independentemente de serem cantadas ou não.

Jacy Bezerra é poeta

Sebastião Vila Nova

Duas coisas diferentes

A letra de uma música é uma coisa bastante diferente de um poema. Em princípio uma letra deve ser submetida à música. Quando uma letra supera uma canção, não há uma boa canção. Quando um ouvinte escuta uma música prestando atenção primeiramente à sua letra, não é um bom ouvinte. Uma canção deve ser lembrada inicialmente por sua melodia. A poesia e a música têm relação por suas origens. Elas nasceram juntas e é por isso que a poesia tem um certo ritmo. É o que Ezra Pound chama de “melopéia do poema”. Porém, depois a música e a poesia se separaram e tomaram rumos diferentes. Eu penso como Thomas Mann escreveu no romance Doutor Fausto: “Um poema não deve ser bom demais para servir de material para uma boa canção. A música se sai muito melhor na tarefa de dourar a mediocridade”. Ou seja, ele diz que uma canção pode ter uma letra pobre e, mesmo assim, ser uma bela canção. Por outro lado, eu admito que excepcionalmente alguns artistas conseguem se superar e fazer letras poéticas independente da música. Chico Buarque, por exemplo, em "Brejo da Cruz". Essa letra pode ser lida no papel como um poema. Caetano Veloso também atinge isso quando faz letras experimentais. E isto é perigoso para o artista. Quando se faz letras como essas, a música não funciona e não pega.

Sebastião Vila Nova é sociólogo e músico

imagens que se colam ao peito (28)




Imprints, Japan 1993-1999, Yuichi Hibi

VI

que segredos esconde
o pássaro da manhã
sobre aquela janela?

poemas (1)

Canção de Embalar

Apoia a tua cabeça adormecida, amor,
Tão humana sobre o meu braço descrente;
O tempo e a febre consomem
A própria beleza das
Pensativas crianças, e o túmulo
Mostra que a criança é efémera:
Mas, nos meus braços, até ao romper do dia
Deixa que a viva criatura jaza
Mortal, culpada, mas que para mim
É toda a beleza.

A alma e o corpo não têm limites:
Para os amantes quando jazem
Sobre o seu permissivo e encantado declive
Num habitual desfalecimento,
Grave é a visão que Vénus envia
De uma sobrenatural compaixão;
Amor universal e esperança;
Entretanto, uma visão abstracta desperta
Entre os glaciares e as rochas
O êxtase carnal do eremita.

A segurança e a fidelidade
Passam ao bater da meia-noite
Como as vibrações de um sino
E aqueles que são elegantes e loucos erguem
O seu pedante e enfadonho apelo:
A mais pequena moeda devida,
Tudo o que as temidas cartas auguram,
Há-de ser pago, mas desta noite
Nem um murmúrio, nem um pensamento,
Nem um beijo nem um olhar se hão-de perder.

A beleza, a meia-noite, a visão que morre;
Que os ventos da madrugada ao soprarem
Suaves em redor da tua cabeça sonhadora
Mostrem um dia de boas-vindas
Que o olhar e o coração palpitante abençoem,
Que achem suficiente o nosso mundo mortal;
Que meios-dias de aridez te encontrem alimentada
Por poderes involuntários,
Que noites de afronta te deixem passar
Vigiada por todos os amores humanos.

Janeiro 1937

W.H. Auden
Diz-me a verdade acerca do amor
Trad. de Maria de Lourdes Guimarães
Relógio d´Água
1994

sábado, agosto 09, 2008

resposta ao comentário anónimo do post de 6 de agosto:

Postcards I may send: wrong person, 2008, Andre Jordan

'even if the door is open, the person you're looking for may not be there'

My Blueberry Nights, 2007, Wong Kar Way

quinta-feira, agosto 07, 2008

traz-me sempre satisfação

quarta-feira, agosto 06, 2008

imagens que se colam ao peito (27)

Postcards I may send: a sign, 2008, Andre Jordan

V

uma vida igual
à mulher da somália

tal como canta a música

um deserto de carne
os pés em ferida

e de novo o viajante

o eterno viajante

que apaga o rasto de sangue
do ventre das dunas
como quem esconde o destino

terça-feira, agosto 05, 2008

sublinhado (71)

O animismo era, para Hudson, o intenso amor pelo mundo visível e a ausência do pensamento. De repente, pareceu-me que, neste aspecto, nunca tinha existido um autor mais próximo de Walser do que Hudson, pois convinha não esquecer que, em Walser, tanto a descrição do seu eufórico amor pelo mundo visível eram primordiais, como - herança dos últimos romances - a sua absoluta certeza acerca da superficialidade da palavra. (pág. 201)

Doutor Pasavento (Teorema), Enrique Vila-Matas

sexta-feira, agosto 01, 2008

IV

o rádio toca

e a estrada em fuga
reflecte o que já sabemos:

no vapor do alcatrão

entre o negro do solo
e o azul do céu

há mortos que vivem
e vivos que se esforçam
por morrer

e nada disso importa

porque a eternidade
nasce no segundo cruel

onde a ínfima partícula da alma
se faz verdade

sublinhado (70)

Passei a recordar aquelas palavras, como se nelas estivesse concentrado aquele espírito de Walser que Musil disse que lhe evocava a riqueza moral de um desses dias preguiçosos e, aparentemente, inúteis, em que as nossas convicções mais rígidas se descontraem e se convertem numa agradável indiferença. (pág. 191)
Doutor Pasavento (Teorema), Enrique Vila-Matas

quinta-feira, julho 31, 2008

III

tudo parece uma rota indefinida

não existem mapas

e as estrelas
não funcionam como dantes

um viajante
que vive a modos
do entardecer

na certeza de que o sol
morre todos os dias

imagens que se colam ao peito (26)

últimos seis minutos 'Six Feet Under', 2005, Alan Ball

II

não há fantasia
nas horas que separam
o vivo do morto

apenas gumes
facas e bifaces afiados

dentes de tubarão

e um abdómen rompido
onde nem a dor transborda

where is my love?

terça-feira, julho 29, 2008

As matriarcas (10)

A cidade inteira quedou-se paralisada, muda, ao se deparar com tia Margarida “seminua”, valsando ao som das gotas espessas de chuva que estouravam no chão do quintal.
Somente as crianças – que não compreendiam bem o que de fato acontecia – romperam o silêncio daqueles rostos estáticos, quando resolveram se juntar ao bailado de tia Margarida. Aproveitaram seu desvario como desculpa para tomar banho de chuva, fazer algazarra e brincar de ciranda em torno de uma tia Margarida em êxtase.
Ninguém as impediu. Creio mesmo que nem notaram a presença delas, tamanha estupefação. Pareciam hipnotizados, em transe coletivo, num misto de horror e incredulidade diante da cena. Nenhum suspiro, nenhum “oh!” nem menear de cabeças. O único gesto (mecânico) que notei foi o de Pe. Miguel se benzendo com o sinal da cruz como se testemunhasse uma possessão, mas minha memória me dizia que a interpretação da criança que fui era outra. Naquele dia achei que Pe. Miguel abençoava tia Margarida, livrando-a de toda mácula, pecado ou doença, tal como Jesus fizera com Maria Madalena. Pensei que ali, naquele momento, ao ver tia Margarida rodopiar e sorrir, presenciara um milagre.
Eu mal sabia que era o começo do fim.
Tia Margarida deu um berro e desmaiou. Corri em sua direção ao mesmo tempo em que procurei mamãe com os olhos, mas ela amparava nos braços uma vovó Totonha desfalecida.

segunda-feira, julho 28, 2008

Confessionário (52)

Meu Vítor,
Não conheço ninguém melhor para responder-te do que Drummond. Então, aproprio-me das palavras desse moço de Itabira.

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade. "Ausência" in Alguma Poesia.

I

entra pela mesma porta

pousa a cabeça na soleira de granito
e espera que o sonho chegue

há um degrau sobre o corpo
e um farol no horizonte

nas mãos crescem-lhe estátuas
de homens que nunca viu
músculos assimétricos
cabelos violentos

há um anjo vermelho
que tece uma manta de celofane

e há um outro
que embrulha um coração

terça-feira, julho 22, 2008

a estrada

há músicas que fazem parte da nossa vida. guardam momentos, pontuam situações que escrevem o livro das memórias. ao ouvi-las vamos criando o nosso filme. cena após cena, assistimos à construção daquilo que somos e deixamos uma porta aberta para o que poderemos ser... pelo menos é o que acontece nos bons filmes. esta música acompanha-me repetidamente, ciclicamente. mostra-me a estrada que percorri e dá-me a paz que necessito para continuar o caminho. ficará aqui até ao dia em que eu saiba que direcção seguir.


quarta-feira, junho 25, 2008

Confessionário (51)

Sabes que não há ausência, Lu, porque no coração tudo vive com a mesma intensidade. Quero voltar, ainda não sei como. Desisti de lutar contra o tempo. Um beijo.