terça-feira, dezembro 01, 2009

sublinhado (75)

'Não sabemos nada de nós próprios. Falamos sempre sobre os nossos desejos, e tentamos esconder-nos desesperadamente e inconscientemente. A vida torna-se quase interessante, quando já aprendeste as mentiras das pessoas, e começas a desfrutar e a notar que dizem sempre uma coisa diferente daquilo que pensam e querem realmente... Sim, um dia chega o reconhecimento da verdade:e isso significa a velhice e a morte.' (pág. 142)
in As velas ardem até ao fim (Dom Quixote), Sándor Márai


Posso dizer que foi um dos livros mais arrebatadores que li nos últimos anos. Uma completa e emocionante surpresa. Entra para o lote dos livros que falam intimamente como se estivessem a descobrir os nossos próprios segredos.

5 comentários:

Luciana Melo disse...

São fragmentos muito fortes, meu Vítor!
Já anotei o nome e vou procurar pelas livrarias de Brasília.
Beijo enorme e saudoso.
Tua Lu

Adão disse...

Engraçado, achei o romance profundamente mal construído e insípido.
Aquele anti-clímax ao fim irritou-me profundamente porque minou todo objectivo da narrativa. Mas tem os seus pontos fortes. Não sei, talvez a minha cabeça não estivesse virada para apreciá-lo...Mas ainda bem que gostaste! ;)

Vítor Leal Barros disse...

gostei de várias coisas neste livro:
1_toda a análise que o personagem faz dos factos, é profunda, é madura e é universal... uma das qualidades da boa literatura - a universalidade
2_gosto do anti-clímax que falaste - ficas sem saber qual é a verdade factual da história, mas no fundo sabes... é a verdade do personagem principal. o drama resolve-se para ele única e exclusivamente com aquela conversa. confirma tudo o que se pressente desde o início no romance.
3_o personagem 'ouvinte' é extremamente interessante. podes efabular muita coisa sobre ele...

'porque perguntas se sabes a resposta?' às vezes gostava que em conversas que vou tendo aqui e ali me dissessem apenas isso.

isto dá pano para mangas e continuava aqui a escrever uma série de aspectos que me fascinaram neste livro. uma conversa de café seria interessante mas estás longe pa caraças! bem, adia-se para quando houver oportunidade...
abraço

Vítor Leal Barros disse...

bem, só para completar o meu raciocínio... o objectivo da narrativa, na minha opinião é este: em muitos dramas pouco interessa a verdade factual, o que importa é se com maior ou menor grau de informação o assunto se resolve dentro de cada um... o dele resolveu-se após aquela conversa, não tenho dúvidas. às vezes não vale a pena fazer perguntas porque cá dentro estão todas as respostas. penso que me fiz entender

Adão disse...

Hum, não sei se concordo mas também não discordo. Achei apenas que a narrativa está mal construída. Mas depende do gosto! ;)
Abraço