quarta-feira, julho 19, 2006

caderno de Roma e Budapeste (3)

um silêncio absurdo

inspirações arfadas
ao ritmo veloz do sangue

nenhum segredo por contar
nenhuma história por dizer
e esquecer por minutos
os músculos, a pele, o cabelo
esquecermo-nos como se
pudessemos morrer já

e olharmo-nos por dentro
do quadro negro postrados contra
as paredes da masmorra

perceber que o suor se
espalha sobre elas
e desenha o vazio nas
gotas de desejo
que caem no chão

roubar o calor do outro
pulsação por pulsação
até que seja só medo

que o último fio de luz
unindo o cérebro ao corpo
se quebre
porque a pele não mata

(já não escrevia sem levantar a caneta há mais de um ano, pensei que me tinha esquecido, mas parece que não... Budapeste, 12 de Julho de 2006)

4 comentários:

frosado disse...

Hummmmmmmmm, arrebatador!

luciana MELO disse...

Há coisas que apenas adormecem, querido.

CeciLia disse...

acho lindo teu escrever de levantar a caneta, os olhos, a alma.

Continue, sim?
Beijos na alma

Rotação dos tempos disse...

Convém não perder a prática...para que não se perca, também, a nossa memória caligráfica...