quarta-feira, agosto 02, 2006

"Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir"


Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida. Outro ciclo completou-se.
Depois do incômodo de juntar livros, cds, roupas, papéis, lembranças e todos os outros cacos que restaram, olhar ao redor e ver que não sobrou nada. A não ser aquela sensação de vazio, a vertigem de não reconhecer a pessoa (que se ama) na pessoa amada. Quem, afinal, está diante de mim? Olha-me? Escuta-me? Sabe quem sou eu?
Não pôde encarar seus olhos. Não falou nada, não fez sequer um movimento. Tinha medo de ver denunciado em sua voz, nas mãos trêmulas, na náusea contida, na lágrima oculta pelos óculos de sol, na perna bamba, todo aquele amor mudo, esganiçado.
O que faria com todo esse amor?
Nenhum aperto de mãos, nenhuma palavra nem o civilizado beijo de “boa sorte, seja feliz”. Na sua cabeça um só pensamento: ir embora, sumir, desaparecer, correr em direção à luz, qualquer luz, havia uma luz, não havia?
Como numa cena ensaiada, deram-se as costas para nunca mais.

3 comentários:

CeciLia disse...

Porque será uma sensação ruim, um dejà vue, por aqui?

Beijo, querida. Fica bem.

sandra m. disse...

Gosto muito do vosso blog. Sigo-o atentamente há muito. Parabéns pela vossa iniciativa. É um dos melhores espaços da blogosfera que tenho o prazer de visitar.

Gostei deste texto em particular. Voltarei sempre.

Beijos

Vítor Leal Barros disse...

obrigado sandra pelas tuas palavras