segunda-feira, fevereiro 20, 2006

O Diário de G.H. (3)

A hora do susto

Surpreendentes eram seus olhos quando raspei com a minha unha a primeira camada de pele. Era uma feridinha besta, destas que a gente cutuca para se ver livre, mas eis que sob meu peito saltaram aqueles olhos persecutórios, loucos de vontade de saber quem quebrava a casca do ovo antes da hora.
Havia uma hora prevista para que ela nascesse? Saberia ela que estava escondida em mim ou seria sempre um embrião em gestação? Seu azar foi a tal feridinha causando um certo incômodo ao toque da minha mão e pontas de dedo.
Levei um susto, sem saber se continuava puxando a pele ou dava um jeito de devolver a casca ao lugar de onde tirei. Ali imóvel sobre aquela cadeira, encarando os tais olhos, fiquei com essa indagação por muito tempo, até que sua mão abrupta empurrou-me por dentro, impelindo-me ao salto. Corri para o armário do banheiro: o band-aid dar-me-ia a trégua necessária para saber o que fazer com a tal descoberta.

3 comentários:

Sorella Bionda disse...

Lu, com licença, vou deixar recado aqui pro Vítor:
promessa é dívida, quero receber o beijão em pleno desembarque no aeroporto, ao som da banda e com direito a desfile no carro de bombeiros!

Vítor Leal Barros disse...

enigmático este texto... espero desenvolvimentos

o prometido é devido sorella..hehehe

Vítor Leal Barros disse...

enigmático este texto... espero desenvolvimentos

o prometido é devido sorella..hehehe