quarta-feira, junho 28, 2006

sublinhado (32)

E, com efeito, se só por todos os outros éramos o que éramos, dos outros dependia a nossa identidade, e eles eram livres de não a reconhecerem, de a contestarem, de trocarem-na por outra, ou de firmemente no-la recusarem. A identidade era como um passaporte provisório para sermos, que podia durar a vida inteira e mesmo para além da morte, se isso conviesse aos outros, e apenas enquanto lhes conviesse. (pág. 405)
Sinais de Fogo (Público), Jorge de Sena

1 comentário:

luciana MELO disse...

Engraçado como a identidade que é (ou deveria ser tão nossa) torna-se um bem facilmente confiscado pelo outro... e isso é perigoso, muito perigoso.