sábado, maio 27, 2006

histórias terminadas (ou com fim assistido)

Canto Trigésimo Segundo

Vinte dias atrás meti uma rosa no copo
perto da janela em cima da mesinha.
Quando reparei que as folhas
perdiam o vigor
sentei-me diante do copo
para ver a rosa morrer.

Esperei um dia e uma noite.

A primeira pétala desprendeu-se às nove da manhã
e deixei que caísse em minhas mãos.
Nunca tinha estado ao leito de morte de um moribundo
nem quando minha mãe morreu,
pois então estava de pé, ao longe, no fundo da rua.

Tonino Guerra
O Mel (Assírio &Alvim)
Trad. Mário Rui de Oliveira

1 comentário:

luciana MELO disse...

Não quero esperar tanto para sentir o pesar... por isso as coisas devem ser intensamente vividas, ainda que não sejam como desejamos. Chorar dores antigas e fora do tempo parece uma expiação.
Beijos