quarta-feira, março 22, 2006

Na estante (2)

Ágape
“Você será amado no dia em que puder mostrar sua fraqueza sem que o outro se sirva dela pra afirmar sua força”. Esse amor é o mais raro, o mais precioso, o mais milagroso. Se você recua um passo, ele recua dois. Simplesmente para lhe dar mais lugar, para não esbarrar em você, para não invadir, não oprimir, para lhe deixar um pouco mais de espaço, de liberdade, de ar, e tanto mais quanto mais fraco o sentir, para não lhe impor sua potência, nem mesmo sua alegria ou seu amor, para não ocupar todo o espaço disponível, todo o ser disponível.

“Amor” in Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, André Comte-Sponville.

- (...) Mas os homens (os homens, quero dizer, os homens e as mulheres) casam-se por amor ou por ser costume? Em suma: nós amamo-nos, Maria dos Remédios, porque nos amamos do fundo da alma ou porque amar é um costume da nossa civilização? Isto é importante e não encontro resposta. Amo-te, sofreria muito se não gostasses de mim, mas... Sofria porque sem ou porque é hábito sofrer.

Bolor, Augusto Abelaira.

2 comentários:

C.S.A. disse...

E aqui, Lu, reler um nadinha do Abelaira... por que terá caído no esquecimento? As "novas gerações" não perderiam nada em lê-lo. E o "Cidade das Flores".
Beijão, Lu.
Abração ao Vítor qd voltar.

luciana MELO disse...

Descobri Abelaira numa época linda, Carlos. Foi indicação da minha professora de literatura brasileira. Estava atraída pelo tema da opressão e como as obras de arte vicejam apesar disso.
Bolor foi uma resposta criativíssima! Espero que os mais novos não percam a oportunidade desse encontro.
Façamos nós a nossa parte ;o)
Beijos, querido.