quarta-feira, março 22, 2006

Confessionário (15)

Vítor, tens acompanhado o longo intervalo de (no tempo e espaço) mudez e silêncio. Conheces-me tão bem que não preciso justificar a ausência das minhas palavras.
Há muitos hábitos aos quais nos acostumamos. Fomos socializados de uma maneira tão violenta que até quando somos capazes de nos livrar dos costumes e nos apropriarmos da nossa liberdade criativa, nos sentimos subtraídos de algo.
Jung tenta explicar esse psquismo através dos símbolos, do mito, da religião. Ele afirma que somos capazes de chegar à individuação sem nos sentirmos em dívida com nossa “herança psíquica”.
Não, meu querido. Não acredito que amar seja um desses hábitos (embora muita gente consiga esse absurdo!). Amar é um exercício fecundo de criação e recriação. É preciso renovar-se para amar e ser amado.
Ontem, após reler tantas vezes tua ‘carta’, eu me permiti chorar, me permiti ser misérrima, me permiti a fraqueza, o cansaço. Nesse pranto, busquei o colo daquele que tanto amo, daquele que não usa minha fraqueza para mostrar-se forte.
Vítor, ontem conheci a face de Ágape. E isso, meu amigo, foi um encontro numinoso. Há quem viva toda existência e não passe por essa experiência libertadora/libertária.
Cheguei a casa reconfortada. Tomei um banho e senti novamente a necessidade de me expressar. Sou melhor quando as palavras me cercam. Existe um alento maravilhoso nessa relação.
No caminho de volta, ouvi V. sussurrando aos meus ouvidos e isso foi como voltar ao lar depois de uma longa viagem.
Ainda não sei o que V. quer ao relatar-me suas incursões pessoais pelo universo literário que tanto me seduz. A única certeza que tenho é que ela alinhava os fios da minha vida.

3 comentários:

C.S.A. disse...

Ei, Vítor, com uma colega de blog assim, fico cheio de inveja, um sentimento feio, mas que fazer? Vir aqui "ler-vos".

Vítor Leal Barros disse...

cheguei Lu, e ao ler-te a sensação que tenho é que a distância nada tem de físico... acabando este texto a sensação que me fica é a de um abraço apertado (mesmo a 8 mil km de distância)...

um beijo enorme...

carlos...talvez n seja inveja...tv seja apenas uma grande admiração por um ser humano realmente fantástico - a Lu... volte sempre, a casa é sua, sabe disso

um abraço

CeciLia disse...

Minha Lu, ouve, mas ouve com todo o teu ser o que V. tem a dizer. Depois vive por ti e através da letra. Quanto a mim fico aqui, sentadinha na calçada, olhando pela janela colorida este diálogo tão amoroso teu e do Vítor.

Beijos carinhosos em vocês