terça-feira, outubro 17, 2006

Teorias amorosas (5)

Todas as suas coisas couberam numa pequena valise e ainda assim sobrou espaço.
Passaram o dia mudos, evitando olhares, os mesmos cômodos. Um grande mal-estar tomou conta, a certeza do inconveniente, mas era 31 de dezembro e não dava mais para cancelar a ceia caríssima que haviam pago há dois meses atrás.
Então vieram a noite, as luzes, o brilho, o champanhe e os fogos. Dez minutos ininterruptos de fogos.
Melancólica, encostou a cabeça no ombro dele. Ficaram assim por um momento e depois foram embora.
Ele abriu a porta do carro. Ela pegou a valise e antes de despedir-se, observou:
- Sabe, olhando aqueles fogos, a explosão... acho que finalmente compreendi a nossa história.
- Sei. Breve, mas linda?
- Não. Muito barulho por nada.

3 comentários:

Vítor Leal Barros disse...

já tinha comentado este texto no glossolália ...mas aproveito para voltar a dizer que gosto desse lado mais caustico

CeciLia disse...

rindo, rindo, rindo por aqui. Que desfecho!

Beijos na alma, querida

Lu disse...

é como ando... cáustica.
Ah, minha Lia, que bom que alguém rir dessas mazelas. Beijão.