quarta-feira, janeiro 25, 2006

Faria hoje 123 anos

"Observei com uma clareza desiludida a falta de identidade da rua; as suas varandas e cortinas; as roupas castanhas, a cupidez e a complacência das mulheres que trabalhavam nas lojas; os velhos passeando com as suas roupas de lã; a forma cautelosa como as pessoas atravessavam a rua; a determinação universal de se continuar a viver quando a verdade é que, seus idiotas, uma qualquer telha vos podia cair em cima e este ou aquele carro galgar o passeio, pois não existe qualquer espécie de lógica ou razão quando um homem embriagado caminha pela rua com um varapau na mão.

As Ondas, Virginia Woolf

2 comentários:

Fernando_Vilarinho disse...

evocá-la é sempre um momento de feliz empatia!

Cláudia Neves disse...

A escrita de Virginia Woolf faz-me flutuar os sentidos... Leva-me para lugares profudos... Faz-me reparar em todos os detalhes do dia-a-dia, em todas as sensações que despertam...

"A água desliza pelas fendas secas do meu corpo. O corpo frio aquece. O meu corpo inundado brilha. A água desce e percorre-me como uma enguia. Agora estou envolto em toalhas quentes e a sua aspreza faz o meu sangue ronronar quando esfrego as costas. Intensas e magnificas sensações formam-se no meu cérebro como num telhado. As imagens do dia chovem sobre mim (...)"